Dez anos após crise, riqueza global está 27% maior, avalia Credit Suisse

14/11/2017 14:54:23

Por: Flavya Pereira / Agência CMA

São Paulo – Dez anos após o início da crise econômica global, a riqueza cresceu 27% no período, sendo que nos 12 meses
até meados de 2017 ela avançou em ritmo mais acelerado do que nos últimos anos, com a riqueza média por adulto atingindo um novo recorde. O levantamento é do Global Wealth Report do Credit Suisse Research Institute.

Segundo a oitava edição do relatório, de janeiro até meados de 2017 a riqueza no mundo aumentou 6,4% e atingiu US$ 280 trilhões. Isso refletiu lucros generalizados nos mercados de ações combinados com aumentos similares em ativos não financeiros, que pela primeira vez neste ano ultrapassaram o nível de 2007 antes da crise. A riqueza média global por adulto cresceu 4,9%, atingindo um recorde de US$ 56.540 por pessoa.

“Uma década após o início da crise financeira global, vemos um aumento significativo da riqueza em todas as regiões do mundo. No nosso mercado doméstico, a Suíça, a riqueza por adulto aumentou mais de 40% nesse período, e o país continua liderando os rankings globais”, declarou o presidente do Credit Suisse Research Institute e presidente do conselho de administração do Grupo Credit Suisse, Urs Rohner.

O destaque fica com Estados Unidos, que continuaram com a “mágica ininterrupta” de lucros desde a crise financeira, segundo o relatório, reforçada pelas condições fortes do mercado. Ao estoque de riqueza no mundo, foram adicionados quase US$ 8,5 trilhões, o que representa a metade da riqueza gerada globalmente nos 12 meses até meados de 2017. A riqueza do país é
estimada em aproximadamente US$ 93,6 trilhões, ou seja, 33% da riqueza global total.

Já a riqueza na Europa cresceu 6,4% com a estabilidade econômica e acompanhou o avanço global. Alemanha, França, Itália e Espanha [países da zona do Euro] estão entre os dez com os maiores lucros em termos absolutos. O Reino Unido se recuperou depois das perdas causadas pela votação do Brexit, no ano passado, mas a perspectiva permanece incerta. Neste ano, a riqueza total da zona do euro foi estimada em US$ 53 trilhões.

Desde 2000, segundo o documento, o número de milionários aumentou 170% no mundo, enquanto o número de pessoas com altíssima renda cresceu cinco vezes. Só as economias emergentes respondem por 22% do aumento no número de pessoas de altíssima renda, que chega a 24.500 adultos. A China sozinha adicionou cerca de 17.700 pessoas, o que representa 15% do total. A expectativa é que este grupo chegue a 193.000 pessoas em 2022.

A riqueza deve chegar a US$ 341 trilhões até 2022. As economias emergentes devem gerar riqueza mais rapidamente do que os países desenvolvidos e, provavelmente, atingirão uma parcela de 22% da riqueza global no fim do período de cinco anos. A China deve ter a contribuição mais forte com cerca de US$ 10 trilhões, alta de 33%.

Também se espera que a dívida cresça mais rapidamente do que a riqueza  financeira, após um período de estabilidade entre 2007 e 2010. A dívida  familiar deve subir 37% nos próximos cinco anos, e atingir 15% dos ativos  brutos.

Edição: Gustavo Nicoletta (g.nicoletta@cma.com.br)

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