Deputados retiram Coaf de Moro

Por Gustavo Nicoletta

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

São Paulo – A Câmara dos Deputados rejeitou ontem à noite, por 228 votos a 210, um destaque à Medida Provisória 870 que tinha como objetivo manter o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) dentro do Ministério da Justiça. A decisão contraria recomendação do titular da pasta, o ministro Sergio Moro.

Em sua conta no Twitter, o ministro reconheceu a derrota e disse que faz parte da democracia perder ou ganhar, mas que lamenta o ocorrido. “Como se ganha ou como se perde também tem relevância. Agradeço aos 210 deputados que apoiaram o MJSP e o plano de fortalecimento do Coaf”, acrescentou.

Deputados ligados ao Planalto tentaram amenizar a derrota. A deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), líder do governo no Congresso, negou que o resultado da votação tenha sido negativo.

“Derrota? Claro que não! O Coaf está em casa, nas mãos do nosso posto Ipiranga, Paulo Guedes. Não há derrota quanto com esse time de ministros alinhados. A discussão foi democrática. Respeitemos e em frente”, disse ela, também no Twitter.

O governo vem tentando minimizar a derrota em relação ao Coaf pelo menos desde a semana passada, quando o presidente Jair Bolsonaro disse em entrevista à rádio Bandeirantes que manter o Coaf no Ministério da Economia, em vez de transferi-lo para o da Justiça, como queria o governo originalmente, seria uma mudança “inócua”.

“Vamos supor que vai lá para o Paulo Guedes, o ministro da Economia. Poxa, vai ter uma linha direta com o Ministério da Justiça. Nossos ministros conversam entre si. É medida inócua, no meu entender. O Moro, precisando de informações, vai ter as informações”, afirmou o presidente.

Na mesma entrevista, ele reiterou que o Coaf precisa operar dentro dos limites legais previstos para órgãos com atuação ligada a dados bancários.

“O Coaf tem que ter limitação. Não pode vazar? Não pode vazar. A gente pode não gostar da lei em relação a isso, mas se infringi-la, alguém tem que pagar o pato”, afirmou.

A família de Bolsonaro foi alvo do vazamento de informações obtidas pelo Coaf. Os dados trouxeram suspeitas de corrupção para perto de seu filho e senador, Flavio Bolsonaro (PSL-RJ). De acordo com informações divulgadas na imprensa, um relatório do conselho mostrou que Fabrício Queiroz, assessor de Flávio, movimentou mais de R$ 1,2 milhão num período de aproximadamente um ano e depositou R$ 24 mil na conta de Michelle Bolsonaro, esposa de Jair.

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