Copom mantém juros e ressalta incerteza econômica

Por Gustavo Nicoletta

Comitê de Política Monetária (Copom). (Foto: Beto Nociti/BCB)

São Paulo – O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) elevou a previsão de inflação neste ano, sinalizou que o risco ao cenário de preços relacionado à ociosidade na economia está aumentando e avaliou que a economia brasileira segue pressionada por incertezas.

Em comunicado, o órgão divulgou que decidiu de forma unânime manter a taxa básica de juros, a Selic, em 6,5% ao ano e repetiu que a política monetária deve continuar com um viés estimulativo para que a inflação caminhe em direção à meta.

“A evolução do cenário básico e do balanço de riscos prescreve manutenção da taxa Selic no nível vigente. O Comitê julga importante observar o comportamento da economia brasileira ao longo do tempo, livre dos efeitos remanescentes dos diversos choques a que foi submetida no ano passado e, em especial, com redução do grau de incerteza a que a economia brasileira continua exposta”, disse o Copom.

“O Copom considera que esta avaliação demanda tempo e não deverá ser concluída a curto prazo. O Comitê ressalta que os próximos passos da política monetária continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação”, acrescentou.

O Copom espera que a inflação em 2019 atinja 4,1% – mais do que os 3,9% esperados em março – em desacelere para 3,8% em 2020 – sem alteração em relação ao comunicado anterior. As previsões levam em conta parâmetros econômicos retirados da pesquisa Focus. A meta de inflação para estes dois anos é de 4,25% e 4,00% ao ano, respectivamente.

Há riscos em ambas as direções em torno deste cenário e eles são simétricos, mas o colegiado destacou que a chance de a inflação ficar mais fraca que o previsto por causa da ociosidade econômica aumentou desde a última reunião. Em contrapartida, a falta de reformas estruturais, como a da Previdência, e um ambiente externo desfavorável para emergentes podem colocar a inflação numa trajetória de alta mais intensa.

Para o Copom, o cenário externo continua “desafiador”. Os riscos relacionados a juros mais altos nos Estados Unidos e em outras economias avançadas demonstram estar “reduzidos no curto e médio prazo”, e a possibilidade de efeitos negativos decorrentes de um crescimento mundial mais lento permanece.

Por enquanto, “diversas medidas de inflação subjacente encontram-se em níveis apropriados”, inclusive componentes que são mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária. E embora os dados recentes mostrem que “o arrefecimento observado no final de 2018 teve continuidade no início de 2019”, o cenário do Copom “contempla retomada do processo de recuperação gradual da atividade econômica.”

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