Consolidação fiscal requer mais do que reforma da Previdência, diz Fitch

Por Gustavo Nicoletta

São Paulo – A aprovação de uma reforma no sistema previdenciário brasileiro é importante para colocar as contas públicas do país nos trilhos, mas são necessárias mais medidas para limitar o crescimento na dívida pública, segundo a agência de classificação de risco Fitch.

Foto: Pedro França/Agência Senado

Em um relatório, a Fitch diz que aprovar a reforma da Previdência no segundo semestre deste ano seria importante para diminuir a incerteza em relação ao quadro fiscal do Brasil e melhorar a confiança e o ritmo de crescimento da economia, especialmente a partir do ano que vem, embora reconheça que ainda há possibilidade de a reforma estacionar no Congresso.

A agência considera que a economia de pouco mais de R$ 900 bilhões em uma década contida na versão revisada da reforma da Previdência é positiva, mas aponta que quanto maior esse número melhor para a sustentabilidade do sistema previdenciário e as contas públicas no médio prazo.

“Uma reforma da Previdência altamente diluída ou o fracasso dela representariam um choque de confiança e pesariam cada vez mais sobre a perspectiva de recuperação econômica e de consolidação fiscal, exigindo cortes de gastos em outras áreas para cumprir o teto de gastos”, disse a Fitch. “isso seria difícil de fazer dada a alta rigidez orçamentária e o espaço cada vez menor para a redução de despesas discricionárias”, acrescentou.

A agência considera que conter o aumento das despesas com pessoal, reduzir subsídios e “a generosidade no crescimento do salário mínimo” provavelmente serão medidas necessárias, além da reforma previdenciária, para ajustar as contas públicas.

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