Confirmação do 2º turno da reforma da Previdência após recesso faz mercados corrigirem

Por Danielle Fonseca e Flavya Pereira

São Paulo – O Ibovespa encerrou em queda pelo terceiro pregão consecutivo, com perdas de 0,10%, aos 103.802,69 pontos, mostrando uma leve correção depois da confirmação que a votação em segundo turno da reforma da Previdência ficará para depois do recesso parlamentar. O índice também seguiu de perto o movimento das bolsas norte-americanas, que rondaram a estabilidade de olho no início da temporada de balanços corporativos.

Pela manhã, o Ibovespa oscilou entre altas e baixas em função do vencimento de opções sobre ações. O volume total negociado hoje foi de R$ 20,4 bilhões, sendo que o exercício de opções sobre ações movimentou R$ 6,12 bilhões deste total.

“Estão faltando notícias, a votação da Previdência em segundo turno ficará para depois do recesso e tivemos altas fortes recentemente, então é até saudável que ocorra alguma correção no curto prazo”, disse o analista da Necton Corretora, Glauco Legat.

Na última sexta-feira, com atrasos na análise dos destaques, investidores já começaram a precificar que a votação no segundo turno na Câmara dos Deputados ficaria para depois do recesso parlamentar, em agosto. Apesar do atraso, porém, o mercado segue otimista acreditando que a votação poderá ocorrer rapidamente no início de agosto para depois seguir para o Senado, além disso, mesmo com a aprovação alterações ao texto, a economia trazida pela reforma foi mantida em R$ 890 bilhões em 10 anos, número considerado ainda elevado. 

Já no exterior, os principais índices dos Estados Unidos operaram em torno da estabilidade desde a abertura, encontrando dificuldades para manter recordes enquanto a começa a temporada de balanços corporativos no país e após dados mistos da economia chinesa.

Entre as ações, as de bancos passaram a operar com quedas após volatilidade pela manhã com vencimento de opções sobre ações, caso dos papéis do Itaú Unibanco (ITUB4 -0,27%) e do Bradesco (BBDC4 -0,42%). Os papéis da Petrobras (PETR3 -1,49%; PETR4 -0,98%) também pesaram negativamente hoje. Na contramão, das ações da Vale (VALE3 1,70%) subiram refletindo os preços do minério de ferro.

Já as maiores altas ficaram com as ações da Via Varejo (VVAR3 7,36%), que avançaram refletindo a contratação de um novo executivo para a área digital e com investidores otimistas com mudanças que estão sendo feitas com a volta da família Klein ao controle. Os papéis da Telefônica Brasil (VIVT 3,09%) também encerram com fortes ganhos em linha com as ações de seus pares, como da Oi (OIBR3 5,88%), que anunciará amanhã seu plano estratégico. Hoje, também chamou a atenção a notícia de que o governo deve anunciar o fim da cobrança de roaming – taxa aplicada nas situações em que o usuário de telefonia móvel faz ligações fora de sua rede de origem – entre os países do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai).

Por outro lado, as maiores baixas do índice foram da Smiles (SMLS3 -4,41%), que refletiram a redução da recomendação pelo Morgan Stanley, e da Eletrobras (ELET3 -4,44%; ELET6 -4,43%).

Nos próximos dias, apesar dos próximos passos da reforma terem ficado para agosto, o analista-chefe da Geral Investimentos, Carlos Müller, acredita que investidores ainda devem monitorar possíveis negociações e declarações. “O recesso parlamentar irá começar, mas não dá para dizer que o noticiário político ficará totalmente vazio, podemos continuar tendo especulações”, afirmou, lembrando que em breve também começará a temporada de balanços no Brasil. Já no exterior, o mercado ficarão atentos a indicadores norte-americanos, como os dados de produção industrial, às 10h15, que podem dar sinais sobre possíveis cortes de juros no país.

O dólar comercial fechou em alta de 0,48% no mercado à vista, cotado a R$ 3,7570 para venda, interrompendo uma sequência de cinco pregões seguidos de queda frente ao real, em viés de correção após uma semana eufórica de investidores locais em decorrência da aprovação do texto-base da reforma da Previdência em primeiro turno no plenário da Câmara dos Deputados.

O diretor da Correparti, Ricardo Gomes, destaca que o investidor “privilegiou” a cautela às vésperas do recesso parlamentar, no qual pausará a tramitação da reforma da Previdência na Câmara, e ainda, com o mercado externo à espera de mais sinais de que o banco central norte-americano (Federal Reserve, o Fed) iniciará ou não afrouxamento na política monetária no fim deste mês.

“É natural que, na busca por pistas que sinalizem para o futuro da política monetária do país [Estados Unidos], os agentes financeiros assumam certa dose de cautela, se refugiando em ativos de segurança e pronta liquidez”, avalia.

Para o estrategista-chefe da BCG Corretora, Juliano Ferreira, sem notícias sobre a reforma da Previdência, o movimento do dólar nos próximos dias tende a acompanhar também o “fluxo cambial”. Além da entrada e saída de dólares do País, o “Fed deverá ser a tônica para o mês”, acrescenta Ferreira.

“Sem a política local, deveremos seguir o exterior e com a questão do Fed como pano de fundo até a reunião do comitê de política monetária no fim do mês. Se não houver corte na taxa de juros, como o mercado aposta, poderá ter uma onda de reversão de expectativa com forte impacto na precificação dos ativos”, ressalta.

Amanhã, o presidente do Fed, Jerome Powell, participará de conferência em Paris. Para o estrategista, as falas de Powell sempre ficam no radar dos investidores, “mas não acredito que fale muita coisa sobre política monetária amanhã. Deverá ser um discurso mais neutro”, aposta. Na agenda de indicadores, o destaque fica para os Estados Unidos com números de vendas no varejo e da produção industrial em junho.

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