Chance de Brexit sem acordo é maior com Boris Johnson, dizem analistas

Foto: FreeImages.com/ Matt Lenon

Por Cristiana Euclydes

São Paulo – Após a renúncia da primeira-ministra britânica Theresa May, anunciada nesta manhã, o ex-ministro de Relações Exteriores do país e ex-prefeito de Londres, Boris Johnson, é o favorito para sucedê-la no cargo. Analistas, porém temem que isso signifique um Brexit mais duro.

May anunciou hoje que vai deixar o cargo no dia 7 de junho, após seu acordo para o Brexit ter sido rejeitado três vezes no Parlamento. O processo para eleger um novo líder vai começar na semana seguinte à sua renúncia, e ela vai continuar no cargo até que um sucessor seja escolhido.

“A suposição geral é de que Boris Johnson terá o bilhete final para ser votado pelos membros do Partido Conservador”, disse o analista da CMC Markets, Michael Hewson.

Johnson liderou a campanha em favor da ruptura com a União Europeia (UE) antes do plebiscito em junho de 2016 e defendeu em várias ocasiões que um Brexit sem acordo estaria em linha com a vontade dos eleitores.

“Se nós de fato vermos Boris Johnson, o favorito atual, se tornar o
sucessor de Theresa May, poderemos ver o Brexit sem acordo ocorrer”, afirmou o analista da Oanda, Dean Popplewell. “Um Brexit sem acordo e um risco de eleições gerais provavelmente manterão a libra sob pressão”, disse.

Ele destacou que, ao longo desta semana, a libra esterlina teve queda forte ante o dólar, o que juntamente com os riscos crescentes de um Brexit sem acordo está fazendo com que os gestores de fundos abandonem as apostas otimistas a longo prazo. “Apenas alguns meses atrás, o caso base era que o Brexit seria entregue por May e que seria uma saída suave”.

De acordo com o analista do FXTM, Lukman Otunuga, a crescente incerteza sobre quem irá guiar o processo Brexit complica ainda mais as perspectivas para a libra.

“O prazo de 31 de outubro para deixar a União Europeia está se aproximando lentamente. Há especulações no ar sobre May potencialmente sendo sucedidas por um líder eurocético, que é visto elevando as perspectivas de um Brexit sem acordo. Algo que parece ser outro sinal de alerta para a libra”, afirmou ele.

ELEIÇÕES GERAIS

A candidatura de Johnson, porém, pode não ser o cenário mais esperado,
dado que existem diferenças dentro do Partido Conservador e alguns deputados podem tentar impedir sua candidatura, afirmou Hewson, da CMC Markets. Ele também não descarta a possibilidade de novas eleições gerais.

“Um novo líder provavelmente enfrentará a mesma aritmética parlamentar que impediu May, o que significa que a possibilidade de uma nova eleição geral continua sendo real”, disse Hewson. “Os partidos da oposição também irão, sem dúvida, expor suas demandas por uma nova eleição”.

Para ele, nas próximas semanas será esclarecido se o Partido Conservador vai se unir em torno de um novo líder, e se esse líder será Boris Johnson. “De qualquer forma, o que não deve ser esquecido em tudo isso é que, na ausência de outra eleição, ou plebiscito, o Brexit sem acordo continua a ser a posição padrão atual”.

Na semana passada, Johnson confirmou sua intenção de apresentar como candidato para substituir May. A premiê já havia prometido deixar o cargo se o acordo fosse aprovado do Brexit pelos deputados e enfrentava crescente pressão, inclusive de seu próprio partido, para marcar uma data para sua renúncia.

Além de Johnson, também anunciaram sua intenção de se apresentar para primárias conservadoras a ex-ministra do Trabalho e Pensões Esther McVey, bem como o chefe do Desenvolvimento Internacional, Rory Stewart.

Outros ministros, como o do Interior, Sajid Javid, o de Meio Ambiente, Michael Gove e os de Relações Exteriores, Jeremy Hunt, também aparecem na maioria das listas de possíveis candidatos da mídia britânica. A mais nova integrante da lista é Andrea Leadsom, ex-líder do partido Conservador na Câmara dos Comuns e que renunciou ao cargo nesta semana, por discordar de como May conduzia o processo do Brexit.

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