Bullard, do Fed, quer ver efeito de corte de juro antes de definir próximo passo

Presidente da unidade do Federal Reserve de Saint Louis, James Bullard. Foto: Divulgação/ Fed Saint Louis

Por Cristiana Euclydes

São Paulo – O presidente da unidade do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de Saint Louis, James Bullard, disse que a economia do país ainda está se ajustando aos cortes na taxa de juros, e que a política monetária não pode responder a cada novo acontecimento da guerra comercial.

“Embora a ação política adicional possa ser desejável, as defasagens longas e variáveis nos efeitos da política monetária sugerem que os efeitos das ações anteriores estão apenas agora começando a impactar os resultados macroeconômicos”, disse Bullard, em discurso em um evento.

Segundo ele, o Fed fez ajustes significativos na política monetária desde janeiro, quando descartou planos de elevar os juros este ano, visando a antecipar o crescimento mais lento da economia do país e a contínua incerteza comercial global. Enquanto isso, afirmou, as pressões inflacionárias seguem fracas e uma inversão mais significativa da curva de juros continua a ameaçar.

Bullard destacou que os juros dos títulos de dois anos do Tesouro caíram de 2,98% em 8 de novembro para 1,72% em 2 de agosto. “Esta é uma mudança muito grande ao longo deste período de tempo”, disse. “O resultado final é que a política monetária dos Estados Unidos está consideravelmente mais acomodatícia hoje do que no final do ano passado”.

Por fim, Bullard disse que “a política monetária dos Estados Unidos não pode reagir de forma razoável ao dia a dia das negociações comerciais”. Segundo ele, a incerteza do comércio está alta no ambiente atual e isso já está precificado. “Eu não espero que essa incerteza se dissipe nos trimestres e anos à frente”, disse.

Mais cedo, Bullard havia dito em entrevista publicada pela agência de notícias “Dow Jones” que quer avaliar o impacto na economia das medidas recentes de afrouxamento monetário antes de definir as próximas decisões sobre o caminho da taxa de juros. Ele disse ainda à agência “France Press” que não se pode esperar que o Fed reaja a cada reviravolta na guerra comercial.

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