BRICS honrou maioria dos compromissos da última cúpula

31/08/2017 18:15:04

Por: Gustavo Nicoletta / Agência CMA

Bandeiras de países do BRICS na sexta cúpula do grupo, em Fortaleza (CE) (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

São Paulo – O BRICS (grupo composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) honrou a maior parte dos principais compromissos feitos na cúpula de 2016, segundo um levantamento feito pelo Centro de Informações do BRICS – um grupo de especialistas da Universidade de Toronto e da Academia Presidencial de Economia e Administração Pública da Rússia.

Os estudiosos escolheram dez das 45 promessas feitas pelo BRICS na reunião de cúpula passada, em Goa, na Índia, e monitoraram se as medidas – selecionadas por abrangência e importância – foram cumpridas pelos países-membros.

Eles afirmaram que o BRICS honrou 85% dos compromissos assumidos na cúpula de 2016 – a maior taxa já registrada desde a cúpula de 2012, quando a medição começou. A média de aderência às promessas feitas pelo grupo é de 74%.

“Os países do BRICS cumpriram bem as políticas macroeconômicas (87%). Também houve pontuações altas em outras áreas essenciais da agenda do bloco – apoio ao desenvolvimento (78%) e combate ao terrorismo (78%)”, disse o relatório.

“Além disso, os membros do BRICS seguiram bem com os compromissos de Informação e Tecnologias de Comunicação (95%). O desempenho em questões de segurança regional foi desigual, com uma média de 40%.”, acrescentou o documento.

O grupo de estudo afirmou que os países do bloco honraram inteiramente os compromissos de fortalecer o comércio eletrônico e a cooperação no combate ao terrorismo internacional, apoiar a União Africana, melhorar a troca de informações tributárias, aumentar a integração de micro, pequenas e médias empresas em cadeias regionais e globais e expandir o acesso a tecnologias de comunicação digital.

O objetivo de fortalecer a cooperação internacional no combate à corrupção foi atingido por quase todos os países, sendo a exceção a África do Sul. Segundo os pesquisadores, o país não adotou medidas capazes de facilitar a busca por pessoas procuradas por corrupção, e por isso teve uma pontuação menor que a dos companheiros do bloco.

Outro ponto em que a África do Sul foi a exceção no aspecto negativo foi o compromisso de apoiar um uso mais amplo do gás natural como combustível. Os demais BRICS cumpriram este objetivo.

Na área de saúde, o grupo concentrou as atenções no compromisso do BRICS de abordar a ameaça da resistência das bactérias a antibióticos. O levantamento mostrou que China e África do Sul cumpriram o compromisso integralmente, enquanto Brasil, Rússia e Índia respeitaram apenas parcialmente a promessa.

Os governos brasileiro e russo teriam compartilhado com os membros do bloco práticas capazes de mitigar o problema da resistência a antibióticos, mas não identificou desafios ou áreas com potencial para cooperação internacional. A Índia apontou as áreas de cooperação internacional, mas não compartilhou melhores práticas, segundo o relatório.

Outro item com desempenho misto foi o compromisso de apoiar os esforços do Afeganistão para atingir uma reconciliação nacional e combater o terrorismo. O Brasil e a África do Sul não fizeram esforços para honrar o compromisso, enquanto a Rússia e a China cumpriram parcialmente a promessa.

A Índia foi o único membro do BRICS que ofereceu auxílio sócio-econômico, de segurança, desenvolvimento e boa governança ao Afeganistão.

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