Bradesco crê que volta de investidores estrangeiros depende das eleições

03/04/2018 13:30:15

Por: Camila de Lira / Agência CMA

São Paulo – A volta dos grandes fundos estrangeiros voltados para mercados emergentes para o Brasil depende do resultado das eleições presidenciais, afirmou o chefe de mercados globais do Bradesco BBI, Juan Briano. “Os fundos globais precisam de uma confiança maior, precisam de um nível de convicção maior para voltar para o Brasil”, disse o executivo.

Segundo Briano, a eleição considerada “certa” é a de um candidato pró-mercado com postura a favor de reformas macroeconômicas. Atualmente, apontou o  diretor-executivo do Bradesco, Renato Ejnisman, a alocação de fundos grandes de mercados emergentes no Brasil está na metade do pico que atingiu em 2010. “Eles tem um bolso maior, alguns grandes fundos quase nem olham mais para o Brasil”, disse o executivo.

Briano aponta que para investidores estrangeiros fora destes grandes fundos, no entanto, a visão sobre Brasil ainda é positiva, e há apetite por risco. “Alguns investidores ajustaram um pouco o portfólio por conta da volatilidade de curto prazo, mas não vi ofertas [brasileiras no exterior] que eles tivessem ficado de fora”, disse Briano.

O diretor-gerente do Bradesco BBI, Leandro Miranda, apontou que há um problema de ativos no país comparado à liquidez internacional em abundância. “O Brasil não tem ativos suficientes. Há um problema nos ativos. Existem investidores institucionais líquidos e ávidos”, disse.

IPOs e Follow Ons em 2018

Apesar do ano eleitoral, o volume de operações nos mercados de capitais brasileiro deverá somar entre R$ 25 bilhões e R$ 40 bilhões este ano, ficando próximo ao volume de 2017 caso fique mais perto da parte maior da estimativa, afirmou Miranda.

De acordo com Miranda, o ano terá “entre seis e sete meses” para as grandes operações, a maioria delas serão focadas no primeiro semestre. “Se tiver uma definição do cenário político, com candidatos que defendam a manutenção da política monetária, pode haver um adiantamento das operações de 2019 no ano”, disse Miranda. Segundo o executivo, há preponderância das operações de abertura de capital (IPO) aos follow ons.

Retomada do crédito

A demanda por crédito por parte das empresas – das pequenas às grandes – já mostrou força no primeiro trimestre deste ano, afirmou o vice-presidente do Bradesco, Marcelo Noronha. “Temos expectativa positiva em relação ao crédito, já temos visto pequeno aumento da demanda, lenta e gradual e na ordem inversa do tamanho das companhias”, disse Noronha.

Segundo Noronha, o pior ciclo de renegociação de dívida por parte das grandes empresas já passou e abre espaço para que elas façam novas tomadas de crédito – seja via mercado de capitais no banco. Noronha vê velocidade maior de crescimento na demanda no “midle Market”.

Edição: Eduardo Puccioni (e.puccioni@cma.com.br)

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