Bradesco BBI reduz recomendação das ações da Natura para venda após compra da Avon

Por Danielle Fonseca

São Paulo – O Bradesco BBI reduziu para “underperform” (equivalente à venda) a recomendação para as ações da Natura, com o preço-alvo de R$ 55,00, depois que a empresa confirmou ontem à noite a compra da Avon. Segundo os analistas do banco, apesar de existirem vantagens na operação, os papéis já subiram muito nos últimos meses em meio a especulações sobre a aquisição.

Logo da Natura. Divulgação pela empresa

Na avaliação do BBI, há muitos méritos na transação aprovada, como o potencial de aumentar fortemente a força e a escala da Natura no Brasil, atingindo cerca de 16% de market share, frente a 12% de concorrentes como O Boticário. Além disso, haverá complementação de exposição geográfica na América Latina e de categorias de produtos, já que a Avon é mais forte em maquiagem e a Natura em fragrâncias e cuidado para o corpo.

“Apesar dos pontos positivos do acordo, vemos uma dinâmica de risco/retorno pouco atraente depois de um rali de cerca de 35% nas ações da Natura desde que a especulação sobre a aquisição começou em março”, disseram os analistas em relatório.

Em termos de sinergia esperada, os analistas esperam que ela possa chegar a até US$ 300 milhões, acima da faixa de US$ 150 a US$ 200 milhões projetada pela Natura. No entanto, a sinergia mais alta não trará potencial de alta para as ações por enquanto. No preço-alvo de R$ 55,00 os analistas consideraram uma sinergia de US$ 200 milhões.

O banco ainda afirmou que há risco envolvendo a aquisição de uma empresa tão grande, que mostrou perdas de 30% nas vendas nos últimos cinco anos, além do risco de ruptura conforme as companhias promovam sua integração.

Há pouco, as ações da Natura (NATU3) caíam 8,04%, a R$ 56,55, devolvendo os ganhos de 9,43% que registraram no pregão de ontem.

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