Bolsonaro volta a defender nomeação de filho a embaixada

Por Gustavo Nicoletta

Deputado Eduardo Bolsonaro durante sessão de posse dos Deputados Federais para a 56ª Legislatura. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

São Paulo – O presidente Jair Bolsonaro disse que pretende indicar Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) para ser embaixador dos Estados Unidos e que só desistirá da ideia caso o deputado federal, que também é seu filho, peça para não ser nomeado ao cargo.

“Pretendo encaminhá-lo, sim. Quem diz que não vai votar mais em mim, paciência. Está me elogiando… seis meses de elogio. É como o maridão, malandro, tá felicíssimo com a mulher seis meses depois do casamento. Um dia a mulher queima o ovo dele, por exemplo – o ovo da frigideira, para deixar bem claro -, aí pronto, já quer acabar com o casamento”, disse Bolsonaro em uma transmissão ao vivo no Facebook.

“Se não vai votar, lamento, me desculpa. Minha intenção é indicá-lo, a não ser que ele não queira”, disse o presidente.

“Vai ter coisas que vão desagradar vocês. Se eu quiser eu chamo o [ministro das Relações Exteriores] Ernesto Araújo: ‘Ernesto, vai para Washington você que eu vou botar o Eduardo como ministro de Relações Exteriores”, acrescentou.

“Lógico, é filho meu. Pretendo beneficiar um filho meu? Sim, pretendo. Tá certo? Eu não vou… se eu puder dar um filé mignon para o meu filho eu dou, mas não tem nada a ver com filé mignon essa história aí”, disse o presidente.

Bolsonaro também rebateu as críticas à indicação de Eduardo baseadas no fato de ele não ser parte dos quadros do Ministério das Relações Exteriores.

“Eu sei que todo mundo que fez o Itamaraty gostaria de ser embaixador lá. Cadê a meritocracia, presidente? Nos últimos anos, me aponta uma boa ação dos diplomatas que estavam lá fizeram de bom ao Brasil? Nada. porque eram indicação política, no mau sentido, com viés de esquerda”, avaliou.

O presidente também voltou a mencionar o fato de que o ex-senador Aloysio Nunes foi ministro de Relações Exteriores mesmo sem ter formação para isso o político é formado em Direito – e depois de ter sido guarda-costas e motorista de Carlos Marighella, líder de um grupo armado que lutou contra a ditadura no Brasil nas décadas de 1960 e 1970.

Embora a indicação para o cargo de embaixador seja feita pelo presidente, a nomeação precisa ser autorizada pelo Senado. Em geral os nomes apresentados pelo Poder Executivo são aprovados sem grandes obstáculos, mas há casos relativamente recentes de rejeição de indicação.

Em 2015, por exemplo, o Senado rejeitou a indicação da então presidente Dilma Rousseff para que Guilherme de Aguiar Patriota ocupasse o cargo de embaixador do Brasil na Organização dos Estados Americanos (OEA).

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