Bolsonaro posta vídeo em que é chamado de escolhido de Deus

Por Gustavo Nicoletta

O presidente Jair Bolsonaro. (Foto: Marcos Corrêa/PR)

São Paulo – O presidente Jair Bolsonaro publicou em sua página no Facebook um vídeo em que o pastor congolês Steve Kunda afirma que o político foi escolhido por Deus para governar o Brasil.

No vídeo, Kunda fala em francês com tradução simultânea para o português. A declaração traduzida afirma: “eu não faço política, eu sou pastor. Mas eu creio também que temos influência n poplítica. Porque igreja não é somente orar manhã, noite e tarde. Mas a igreja é influenciar a sociedade no plano político, e não negativo”, disse o pastor.

“E na história da Bíblia tem políticos que foram estabelecidos por Deus. Um exemplo. Falam do imperador da Pérsia, Ciro. Antes do seu nascimento, Deus fala através de Isaías: eu escolho você, Ciro. O senhor Jair Bolsonaro é Ciro no Brasil. Você querendo ou não”, afirmou o pastor. “Deus falou: os primeiros dois anos não vão ser fáceis”, acrescentou.

A publicação do vídeo ocorre após uma semana turbulenta para o governo. Primeiro, houve uma tentativa fracassada de avançar com votações de medidas provisórias na Câmara dos Deputados.

Depois, o Planalto amargou uma derrota relevante ao não conseguir impedir que o ministro da Educação, Abraham Weintraub, fosse convocado para depor na Câmara. Foram 307 votos para obrigar o ministro a comparecer ao plenário praticamente o número de deputados necessário para aprovar a reforma da Previdência.

Na quarta-feira, mesmo dia em que o ministro foi à Câmara para explicar o congelamento de gastos com Educação, houve protestos contra o contingenciamento. As maiores manifestações ocorreram em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Paralelamente a isso, Carlos Bolsonaro, filho do presidente, ajudou a ventilar nas redes sociais teorias de que há uma articulação política em andamento para forçar seu pai a descumprir a lei de responsabilidade fiscal e retirá-lo do cargo.

Outro filho do presidente, Flavio Bolsonaro, voltou aos holofotes após revistas e jornais noticiarem que o Ministério Público do Rio de Janeiro investiga se ele praticou lavagem de dinheiro em transações com imóveis.

Jair Bolsonaro, que estava nos Estados Unidos para receber uma homenagem, aprofundou a tensão ao chamar os manifestantes de “idiotas úteis”, dizer que não será um “presidente vaselina”, que agrada a todos, e chamar as investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro de “esculacho”.

Além disso, na sexta-feira, Bolsonaro distribuiu em redes sociais um texto de autor desconhecido afirmando que o Brasil é ingovernável se não houver acordo com os tradicionais detentores do poder, colocando-se como uma vítima das circunstâncias políticas brasileiras e, principalmente, da unidade do chamado ‘centrão’ – bloco político informação que controla a maioria dos assentos do Congresso.

O quadro político turbulento, somado ao ressurgimento de tensões comerciais e geopolíticas no exterior, teve efeito negativo sobre o mercado brasileiro.

No domingo, junto com o vídeo publicado em suas redes sociais, Bolsonaro escreveu: “não existe teoria da conspiração, existe uma mudança de paradigma na política. Quem deve ditar os rumos do país é o povo! Assim são as democracias.”

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