Bolsonaro levaria Ibovespa aos 94 mil pontos; Haddad aos 65 mil

25/10/2018 11:51:30

Por: Eduardo Puccioni e Danielle Fonseca / Agência CMA

São Paulo – O plano de privatizações das estatais e de reformas econômicas do candidato Jair Bolsonaro (PSL) traz forte otimismo aos investidores e, caso seja eleito, o Ibovespa, principal índice da B3, pode chegar aos 94 mil pontos ao longo do primeiro ano de seu governo, segundo levantamento da Agência CMA junto a corretoras e bancos.

Atingindo tal pontuação, o índice ultrapassaria sua máxima histórica de 87.652,63 pontos em 26 de fevereiro de 2018. No pior dos cenários com Bolsonaro, as instituições financeiras estão prevendo um Ibovespa aos 90 mil pontos, enquanto no melhor cenário (sem aprovação das reformas) o índice deve alcançar os 105 mil pontos. Num cenário ainda mais otimista, com a aprovação das reformas, o índice pode chegar aos 120 mil pontos.

Por outro lado, se Fernando Haddad (PT) for eleito no próximo domingo, na média coletada pela Agência CMA, o Ibovespa cairia para 65 mil pontos. No pior cenário com Haddad, o índice poderia chegar aos 50 mil pontos, enquanto no melhor cenário com o petista o Ibovespa alcançaria os 75 mil pontos, ou seja, sem renovação da máxima histórica em seu primeiro ano de mandato.

Analistas de mercado acreditam que Haddad teria grandes dificuldade e até mesmo o interesse de colocar algumas reformas para aprovação, principalmente a da Previdência. Em relação às privatizações, esse tema não entra no plano de governo do candidato, que é contra e prefere o enxugamento da máquina pública.

“O mercado está apostando muito na eleição do Bolsonaro e com ele eleito o Ibovespa chegaria aos 100 mil pontos”, afirmou Pablo Spyer, analista da Mirae.

Um diretor de operações de uma grande corretora analisa que mesmo com Bolsonaro eleito, ainda há receio sobre sua governabilidade, ou seja, pode ser que o candidato encontre dificuldades nas aprovações das reformas econômicas.

“O jeito mais durão do Bolsonaro e a maneira dele de lidar com o jogo de cargos entre partidos em seu governo pode fortalecer muito a oposição, chegando ao ponto de não conseguir governar”, explicou.

Segundo Glauco Legat, analista de investimentos da Spinelli Corretora, o otimismo com Bolsonaro é moderado, sendo o ex-militar uma pessoa que defende liberalismo mas é um liberal tropical, em alguns aspectos populista. “A gente considera potencial de 93 mil pontos para o Ibovespa no final do ano, aí mais pra frente vai depender do que vai ser o governo, o que ele coloca como proposta. Vai ser importante acompanhar a primeira votação nas casas mesmo que não seja tao relevante”, avalia.

Já Alexandre Espírito Santo, economista da Órama Investimentos e professor do Ibmec, é um pouco mais otimista com a eleição de Bolsonaro, prevendo um Ibovespa alcançando os 100 mil pontos logo no início de seu mandato, entre fevereiro e março de 2019. “Acho que no início, na primeira onda da bolsa, o índice pode ir pra 100 e 105 mil pontos num cenário favorável, porque da mesma forma que o mercado vai antecipar, ele vai querer ver as coisas acontecerem, o mercado se antecipa mas tem hora que para pra por gasolina”, afirmou o especialista.

 

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