Bolsonaro e Haddad disputarão Presidência no 2º turno

08/10/2018 10:46:24

Por: Gustavo Nicoletta / Agência CMA (g.nicoletta@cma.com.br)

Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL) devem disputar segundo turno das eleições a presidente (Fotos: Divulgação PT e PSL)

São Paulo- O candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL) venceu o primeiro turno das eleições presidenciais com 46,03% dos votos e disputará o segundo turno com Fernando Haddad (PT), que ficou em segundo lugar, com 29,27% dos votos.

Com 99.99% das urnas apuradas, o resultado veio próximo ao que indicavam as pesquisas de intenção de voto mais recentes. O desempenho de Bolsonaro, no entanto, foi um pouco melhor do que o previsto e quase foi eleito em primeiro turno, capturando votos em Estados da região Norte do Brasil, que até então apoiavam principalmente o PT.

Militar da reserva, Bolsonaro conquistou eleitores criticando os governos do PT e adotando uma retórica de tolerância zero com os criminosos e corruptos.

Ele e seus apoiadores argumentam que o Brasil está caminhando para uma situação semelhante à da Venezuela por causa de erros das administrações anteriores e que para evitar este cenário é preciso eleger um governo conservador.

O discurso parece ter ressoado o sentimento dos eleitores. Apesar de possuir uma longa carreira política – é deputado federal desde 1991 -, Bolsonaro é visto por muitos como alternativa aos políticos tradicionais e envolvidos em esquemas de corrupção.

Nas últimas duas décadas, o PT e o PSDB dominaram a disputa política no Brasil. O PSDB foi eleito para governar o país de 1995 a 2002 e perdeu a posição para o PT de 2003 a 2016, quando o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff abriu caminho para que o MDB, de Michel Temer, assumisse o controle do Palácio do Planalto.

Neste ano, porém, apesar do desempenho relativamente positivo de Haddad nas eleições presidenciais, o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, recebeu apenas 4,76% dos votos, ficando em quarto lugar nas urnas, atrás de Ciro Gomes, do PDT, com 12,47%. Henrique Meirelles, do MDB, teve desempenho ainda pior, recebendo 1,20% dos votos e ficando em sétimo lugar.

A tendência de renovação também chegou ao Congresso. No Senado, onde 54 dos 81 assentos estavam sendo disputados, o índice de substituição chegou a 87%, de acordo com a Agência Câmara, com apenas oito dos 32 candidatos que buscavam a reeleição tendo sucesso.

O MDB continuou sendo a maior força no Senado, mas terá apenas onze assentos, ante 18 na configuração atual. O PSDB perdeu quatro assentos, mas seguirá como a segunda maior bancada, com oito senadores.

A busca por renovação na política brasileira também reflete os vários escândalos de corrupção envolvendo partidos tradicionais, entre eles o que resultou na prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A alta polarização nas eleições presidenciais significa que tanto Bolsonaro quanto Haddad possuem altos índices de rejeição, apesar de terem recebido o maior número de votos no primeiro turno. A disputa de segundo turno provavelmente será usada pelos candidatos para se aproximar dos eleitores – em particular dos 10 milhões que anularam o voto ou votaram em branco e dos quase 30 milhões que sequer compareceram às urnas.

A rejeição a Bolsonaro é motivada principalmente por sua falta de experiência em cargos do Executivo, comentários ofensivos sobre mulheres e homossexualidade, sua resistência em reconhecer que houve golpe militar na década de 1960, a simpatia pelo período ditatorial que se seguiu ao golpe por comentários de membros de sua campanha sobre criação de impostos e criticando direitos trabalhistas.

No caso de Haddad, a rejeição deve-se a receios de que a volta do PT ao Executivo aumentará a corrupção no país, que ele será apenas um figurante num governo efetivamente tocado pelo ex-presidente Lula e que uma administração do PT aumentará os gastos públicos e elevará a dívida do país, levando a economia a uma nova recessão.

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