Bolsonaro descarta regulamentação da mídia em seu governo

São Paulo – O presidente Jair Bolsonaro descartou a hipótese de regulamentar a mídia e as redes sociais no Brasil, apesar das críticas frequentes dele e de outras pessoas ligadas a Bolsonaro a notícias publicadas pela imprensa.

“Em meu Governo a chama da democracia será mantida sem qualquer regulamentação da mídia, aí incluída as sociais. Quem achar o contrário recomendo um estágio na Coréia [sic] do Norte ou Cuba”, disse ele em sua conta no Twitter.

A declaração de Bolsonaro foi feita em meio a uma onda de críticas nas redes sociais ao general Carlos Alberto dos Santos Cruz, ministro da Secretaria do Governo, depois que ressurgiu nas redes uma entrevista dele ao jornal “O Estado de S. Paulo” em que ele falou sobre disciplinar o uso das redes sociais.

“Podem até ser um instrumento importante de governo, para a divulgação das suas ideias, dos seus projetos. Isso tem de ser feito. Mas tem de usar com muito cuidado, para evitar distorções, e que vire arma nas mãos dos grupos radicais, sejam eles de uma ponta ou de outra. Tem de ser disciplinado, até a legislação tem de ser aprimorada, e as pessoas de bom senso têm de atuar mais para chamar as pessoas à consciência de que a gente precisa dialogar mais, e não brigar”, disse ele na ocasião.

As críticas a Santos Cruz foram engrossadas por Olavo de Carvalho, tido como uma pessoa influente sobre o governo do presidente Jair Bolsonaro. “O Santos Cruz está exigindo o controle da Internet. O Bebiano [sic] caiu por muito menos”, afirmou, em referência a Gustavo Bebianno, que antecedeu Santos Cruz no cargo.

“Controlar a internet, Santos Cruz? Controlar a sua boca, seu merda”, disse Carvalho em sua conta no Twitter. “Sabem por que o Santos Cruz quer controle da internet? Pela mesma razão que o leva a inventar ‘grupos’ e ‘articulações’ por trás das minhas opiniões pessoais. Porque não é homem bastante nem mesmo para ler o que escrevo, quanto menos para debater comigo”, acrescentou.

Ontem, Santos Cruz reuniu-se com Bolsonaro no Palácio do Planalto, mas deixou o encontro sem conversar com jornalistas, segundo informações publicadas por outros veículos de imprensa.

A regulamentação da imprensa foi um dos temas divisivos durante a campanha eleitoral. O então candidato a presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), Fernando Haddad, defendia em seu programa eleitoral a adoção de um marco regulatório da comunicação para promover “democracia, diversidade e pluralismo na mídia”.

As propostas incluíam impedir monopólios e oligopólios diretos e indiretos e limitar a concentração dentro do mesmo mercado por meio de restrições à propriedade cruzada e à integração vertical de empresas de mídia, “bem como vedação de toda e qualquer censura pública ou privada de natureza política, ideológica e artística”, dizia o programa.

O plano de Haddad também propunha proibir que agentes políticos e seus familiares fossem detentores de concessões.

Gustavo Nicoletta

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