Bolsonaro critica cálculo do IBGE para desemprego

São Paulo – O presidente Jair Bolsonaro voltou a criticar a metodologia usada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para calcular a taxa de desemprego, afirmando que ela tende a elevar o índice em momentos nos quais a economia está se recuperando de crises.

O IBGE, assim como órgãos de estatísticas de outros países, considera como desempregados apenas as pessoas que estão procurando, mas não conseguiram encontrar, um emprego. Os que não possuem emprego e não estão procurando são enquadrados em outra categoria, de população desalentada.

Segundo Bolsonaro, o problema com os dados do IBGE é que, num momento em que a perspectiva econômica melhora, o número de pessoas procurando emprego aumenta e, como esse contingente não pode ser absorvido com rapidez, a taxa de desemprego aumenta.

“Com todo o respeito ao IBGE, essa metodologia, em que pese ser aplicada em outros países, não é a mais correta”, disse ele ontem, em entrevista à rede de televisão Record. “São índices que são feitos para enganar a população”, afirmou.

Os dados mais recentes divulgados pelo IBGE mostraram que a taxa de desemprego ficou em 12,4% no trimestre fechado em fevereiro, acima dos 11,6% registrados no período encerrado em novembro. O aumento representou a entrada de 892 mil pessoas na população desocupada, totalizando 13,1 milhões de trabalhadores nessa condição. O número de pessoas desalentadas chegou a 4,9 milhões, um recorde.

Bolsonaro considera que o cálculo correto sobre o mercado de trabalho deveria levar em consideração apenas o número de empregos criados ou perdidos pela economia num dado período – conta que hoje é feita pelo governo usando os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) Neste caso, os números mais recentes mostram que a economia brasileira gerou 173.139 empregos de carteira assinada em fevereiro – o melhor resultado para este mês desde 2014, quando foram criadas 260.823 vagas. A mesma base de dados, porém, mostra que o total de empregos formais em fevereiro foi de 38,617 milhões – abaixo da máxima de 41,687 milhões observada em setembro de 2014.

Gustavo Nicoletta / Agência CMA ([email protected])

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