Bolsa vira e passa a cair no ajuste e dólar sobe com decisão do Fed

19/12/2018 18:47:15

Por: Danielle Fonseca e Flavya Pereira / Agência CMA

São Paulo – O Ibovespa fechou em queda de 1,08%, aos 85.673,52 pontos, passando a cair perto do fechamento após o comunicado do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) não vir tão “dovish”, ou seja, com o tom tão brando em relação à inflação e ao ritmo de elevação da taxa de juros quanto o esperado pelo mercado, o que provocou um forte ajuste para baixo das bolsas dos Estados Unidos. O volume total negociado foi de R$ 17,279 bilhões.

O Fed elevou a taxa de juros em 0,25 ponto percentual como previsto e estimou dois aumentos da taxa no ano que vem, ante previsão anterior de duas altas. Porém, investidores esperavam que a autoridade monetária pudesse reduzir ainda mais sua estimativa diante dos temores de uma desaceleração da economia do país.

“O comunicado do Fed não foi tão dovish, mas foi um pouco, porém, o mercado errou a mão porque estava esperando algo ainda mais positivo e, agora, tem que ajustar as suas expectativas”, disseram os analistas da Guide Investimento, Luís Gustavo Pereira e Victor Cândido.

A decisão fez com que ações de peso para o Ibovespa, que fizeram o índice chegar a subir mais de 1% mais cedo, virassem para queda. É o caso dos papéis de bancos, como do Itaú Unibanco (ITUB4 -1,33%), e das ações da Vale (VALE3 -2,77%). As ações ordinárias da Petrobras (PETR3 -1,62%) também passaram a cair, embora as preferenciais (PETR4 1,13%), com maior volume negociado, tenham fechado em alta refletindo a alta dos preços do petróleo, que recuperaram parte das perdas de mais de 7% ontem.

As maiores perdas do Ibovespa foram das ações da Telefônica (VIVT4 -3,97%) e dos papéis da Eletrobras (ELET3 -3,26%; ELET6 -2,98%). Já as maiores altas foram da B2W (BTOW3 5,18%) e da Cemig (CMIG4 3,64%).

Amanhã, analistas acreditam que os mercados podem continuar refletindo as sinalizações do Fed e ajustando suas expectativas. Porém, alguns acreditam que o volume de negócios possa começar a mostrar redução com a proximidade dos feriados de fim de ano.

O dólar comercial fechou em queda de 0,74%, negociado a R$ 3,8730 para venda, com investidores em compasso de espera ao longo da sessão pelo anúncio do Fed em relação a política monetária dos Estados Unidos em 2019. A expectativa do mercado é de que a decisão da autoridade monetária fosse suave (“dovish”).

Como esperado, o Fed elevou a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual (pp), para a faixa entre 2,25% e 2,50%, na quarta alta do ano. É o maior nível da taxa desde o início de 2008. Para 2019, porém, a autoridade monetária revisou as projeções, passando de três para duas elevações. “O mercado já havia precificado esse cenário de duas ou até mesmo uma alta”, diz Rosa.

Ao longo do pregão, investidores no mercado global reforçaram apostas num Fed menos inclinado ao aperto monetário em 2019, “baseados não somente nos riscos de desaceleração das economias globalizadas, como também pelos temores de que os Estados Unidos voltem a enfrentar uma recessão ainda no curto prazo”, comenta o diretor de uma corretora nacional.

Para o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa, o comunicado “veio em linha com o que o mercado esperava, reduzindo o aperto monetário no ano que vem, mas sem provocar tantos efeitos no dólar futuro”, comenta. Após a divulgação do comunicado, o contrato para janeiro oscilava entre R$ 3,88 e R$ 3,89.

“Porém, pelas últimas interpretações do mercado, o comunicado foi mais “hawkish” do que o precificado. Inclusive, veículos de comunicação dos Estados Unidos destacam a independência do Fed ao ignorar as declarações e campanha de [presidente norte-americano] Donald Trump contra a elevação dos juros”, avalia.

“Amanhã tem o rescaldo do Fed”, diz o economista-chefe de uma corretora nacional. Além do comunicado, o mercado vai digerir o discurso do presidente do banco central, Jerome Powell. Na avaliação do economista da Tendências Consultoria, Silvio Campos, apesar de o comunicado ressaltar o cenário positivo para o ritmo de atividade e de empregos, o documento incluiu um novo alerta ao mencionar que monitora as condições econômicas e financeiras globais.

“Ou seja, a piora do quadro internacional foi vista como um risco ao país”, diz. Ele acrescenta que o conjunto de sinalizações do Fed pode ser avaliado como positivo, ao reforçar a aposta de uma elevação mais comedida dos juros no atual ciclo de normalização monetária. “O Fed ainda possui a capacidade de conduzir o ajuste de liquidez de modo a suavizar os impactos na atividade econômica”, reforça.

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