Bolsa tem ligeira queda e dólar sobe em dia acompanhando o mercado externo

Por Danielle Fonseca e Flavya Pereira

São Paulo – O Ibovespa encerrou com queda de 0,02%, aos 103.775,41 pontos, fechando quase estável pelo segundo dia, mas no campo negativo por quatro pregões seguidos, em linha com as bolsas norte-americanas e diante da ausência de notícias na cena doméstica. O volume total negociado foi de R$ 16,3 bilhões.

“O mercado está um pouco travado, ele subiu na expectativa de aprovação da reforma da Previdência e, passado isso, ficou sem brilho”, afirmou o gerente da mesa de operações da H.Commcor, Ari Santos.

Com o noticiário doméstico esvaziado e os próximos passos da reforma da Previdência ficando para agosto, investidores acompanham mais de perto o cenário externo, com as bolsas norte-americanas também fechando perto da estabilidade ou em leve queda. O destaque do dia foi o discurso do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, que reiterou as posições recentes, mas não foi suficiente para animar o mercado e trazer grandes movimentações.

Para o estrategista-chefe da Levante Investimentos, Rafael Bevilacqua, no entanto, segue a expectativa de “que os bancos centrais iniciem o quanto antes um movimento de afrouxo monetário”, baixando juros para aumentar a liquidez global.

Ainda na cena externa, investidores monitoram o início da temporada de balanços nos Estados Unidos e as declarações do presidente norte-americano Donald Trump, que voltou a comentar sobre a China, afirmando que o país deveria comprar mais produtos agrícolas norte-americanos. Para o economista da Órama Investimentos, Alexandre Espírito Santo, no entanto, também não há grandes novidades no exterior, o que deve fazer com que a bolsa possa continuar operando perto da estabilidade nos próximos dias.

“A Bolsa já subiu muito recentemente e agora vai ficar um pouco ‘de lado’, mas isso é natural e saudável, é bom para trocar de mão, alguns aproveitam para realizar um pouco de lucros”, disse. O economista ainda destaca que com a Previdência já dada, investidores também irão aguardar novas medidas por parte do governo, como a reforma tributária, andamento de privatizações e medidas que possam estimular a economia no curto prazo.

Entre as ações, as maiores perdas do índice ficaram com as ações da B2W (BTOW3 -3,50%), da JBS (JBSS3 -3,09%) e da Raia Drogasil (RADL3 -2,84%). Na contramão, entre as maiores altas, ficaram as ações da Gol (GOLL4 4,66%), da B3 (B3SA3 3,17%) e da Eletrobras (ELET3 3,47%; ELET6 2,48%).

Na agenda de amanhã, o destaque será o Livro Bege, relatório com uma avaliação da situação econômica, que será publicado às 15h pelo Fed.

O dólar comercial fechou em alta de 0,37% no mercado à vista, cotado a R$ 3,7710 para venda, depois de acelerar ganhos na reta final dos negócios e ficou próximo à máxima do dia – R$ 3,7720 (+0,40%) – influenciado pelo comportamento da moeda no exterior, onde ganhou terreno frente as principais moedas globais em recuperação após sucessivas quedas na semana passada em meio às apostas de corte da taxa de juros nos Estados Unidos.

O economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa, destaca que as apostas no afrouxamento monetário pelo banco central norte-americano, Federal Reserve (Fed), levaram o dólar e as treasuries – títulos de dívidas do governo norte-americano – a baixos patamares entre o fim de junho e o início de julho. “Uma hora esses ativos iriam buscar correção, e está sendo agora”, diz.

Na ausência de notícias no mercado interno a respeito da reforma da Previdência com o recesso parlamentar a partir de quinta-feira, e sem novidades quanto a guerra comercial entre Estados Unidos e China, o dólar deve “rondar” o nível de R$ 3,75 e R$ 3,76 nos próximos dias “esperando novidades”, diz o diretor de uma corretora nacional.

“A próxima novidade, a princípio, é a reunião do Fed no fim do mês que deverá sim começar um ciclo de afrouxamento na taxa de juros. As apostas estão cada vez mais forte de um corte de 0,25 ponto percentual”, comenta. Já os analistas da Mapfre Investimentos ponderam que, em teoria, o corte de juros deveria favorecer a depreciação do dólar diante moedas de outras economias centrais, como o euro.

“A perspectiva de afrouxamento da política monetária não é exclusividade do Fed. O Banco Central Europeu [BCE] aponta em seus últimos comunicados para a necessidade de estímulos adicionais em um ambiente de incerteza e indica que, entre as suas medidas potenciais, estão novas mudanças nas taxas de juros nas aquisições de ativos”, ressaltam os analistas.

Amanhã, o destaque fica para o Livro Bege publicado pelo Federal Reserve com a avaliação da situação econômica dos Estados Unidos. Para o diretor da corretora, o documento não deverá fazer preço porque as sinalizações econômicas já são de conhecimento do mercado.

Rosa, da SulAmérica, porém, acredita que deverá ser “o assunto” do dia amanhã, já que os mercados aguardam por sinais quanto ao futuro da economia norte-americana, que influenciará as decisões de política monetária do país.

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