Bolsa tem ligeira alta e dólar cai em dia de cautela sem notícias econômicas e políticas

Por Danielle Fonseca e Flavya Pereira

São Paulo – O Ibovespa encerrou com alta de 0,07%, aos 103.855,53 pontos, fechando praticamente estável já por três dias seguidos, com investidores sem ânimo para arriscar maiores movimentos em um dia morno no exterior e sem novidades de impacto na cena local. No entanto, seguem sendo monitoradas possíveis sinalizações de cortes de juros nos Estados Unidos e aguardadas medidas que podem ser tomadas pelo governo para estimular a economia doméstica. O volume total negociado foi de R$ 33,7 bilhões, número elevado devido ao vencimento de opções sobre o Ibovespa.

“Com a reforma da Previdência ficando para agosto, o mercado está mais parado e não tem notícia de impacto, deve ficar rondando esses 103,104 mil pontos”, disse o economista-chefe da Codepe Corretora, José Costa.

Sem noticiário sobre a Previdência, a atenção deve se voltar para a aceleração de medidas como privatizações, mudanças no setor de gás e a reforma tributária. Além disso, o governo está estudando liberar saques de parte do saldo de contas ativas do FGTS e do PIS, o que somaria R$ 63 bilhões. A expectativa é que possam ocorrer anúncios nos próximos 10 dias. Para Costa, medidas nesse sentido podem ser bem recebidas pelo mercado já que devem

estimular o consumo, mas ainda seja preciso saber como serão feitas.

No exterior, o mercado segue atento a comunicações do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), como o Livro Bege hoje, porém, o documento não trouxe novidades ao afirmar que a economia dos Estados Unidos seguiu se expandindo em ritmo modesto. A avaliação do mercado continua sendo que haverá espaço para cortar juros, embora os cortes possam não ser tão agressivos. Ainda é o observado o início da temporada de balanços no país e o andamento das negociações comerciais com a China.

“Não é só hoje, mas os próximos pregões também podem ser mais calmos com o recesso parlamentar, o que faz com que o cenário internacional seja o principal driver. Saindo dados mais fracos nos Estados Unidos, as expectativas de corte de juros pelo Fed podem ganhar força”, disse a analista da Toro Investimentos, Stefany Oliveira, lembrando que os indicadores do país serão sempre observados até a próxima reunião do Fed.

As maiores altas do Ibovespa ficaram com as ações do Magazine Luiza (MGLU3 4,44%), que dispararam refletindo a elevação de recomendação para compra pelo Bradesco BBI. Ao lado dos papéis da varejista, ficaram as ações da Eletrobras (ELET3 3,99%; ELET6 3,88%), que subiram amparadas por notícias de que o governo quer acelerar a sua privatização. As maiores baixas, por sua vez, foram da Gol (GOLL4 -4,11%), que devolveram altas de ontem, da CSN (CSNA3 -1,88%), que também sente a baixa dos preços do minério de ferro, e da Smiles (SMLS3 -1,90%).

O dólar comercial fechou em queda de 0,23% no mercado à vista, cotado a R$ 3,7620 para venda, em sessão de poucos negócios e poucas oscilações influenciado pelo mercado externo, assim como o cenário doméstico, esvaziado de notícias sobre a economia norte-americana e sobre a decisão de política monetária no país.

O operador de câmbio da Correparti, Guilherme Esquelbek, ressalta a sessão de pouca liquidez no mercado local sem notícias sobre a reforma da Previdência, além do baixo fluxo. O mercado operou “de lado”, acrescenta, por quase toda a sessão atento à divulgação do Livro Bege pelo Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano).

“O cenário em geral do Livro Bege foi positivo, com expectativas modestas de crescimento [da economia norte-americana], apesar das preocupações do impacto negativo das incertezas relacionadas a guerra comercial, como pontuado no documento”, comenta o operador.

Além da expectativa pelo início do ciclo de afrouxamento monetário, investidores acompanham os desdobramentos da guerra comercial entre norte-americanos e chineses, principalmente, após declarações do presidente Donald Trump de que os Estados Unidos podem “estar longe” de fechar acordo com o país asiático.

Segundo analistas do Bradesco, tanto na China como no restante do mundo, há a percepção de que um acordo definitivo dificilmente será fechado neste ano e que as negociações entre as duas maiores economias mundiais levarão tempo. Há analistas, mais radicais, que ainda preveem uma ruptura definitiva. A disputa comercial dura há mais de um ano.

Amanhã, com a agenda de indicadores esvaziada aqui e lá fora, o noticiário externo seguirá no radar dos investidores, com a busca por sinalizações do Fed quanto a magnitude do corte da taxa de juros, em que crescem as apostas de 0,25 ponto percentual (pp) – abaixo do esperado pelo mercado de 0,50 (pp). Por aqui, começará o recesso parlamentar, esvaziando ainda mais o noticiário político.

“A tendência é de mais uma sessão com menos volume de negócios e consequentemente, menos volatilidade sem novidades aqui, mas sempre monitorando lá fora”, comenta o diretor de gestão da Meta Asset, Alexandre Horstmann.

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