Bolsa sobe por correção após forte queda de ontem por guerra comercial entre China e EUA

Por Danielle Fonseca e Flavya Pereira

São Paulo – O Ibovespa fechou em alta de 2,06%, aos 102.163,69 pontos, acompanhando os índices norte-americanos, que aceleraram ganhos na etapa final do pregão com investidores vendo espaço para recuperar perdas depois do tombo de ontem com a escalada da tensão comercial entre China e Estados Unidos. Um dos motivos que permitiu essa recuperação foi a decisão do Banco do Povo da China (Pboc, o banco central do país) de definir um ponto médio diário da negociação da moeda chinesa, o que deve impedir uma nova forte desvalorização como visto no pregão anterior. O volume total negociado foi de R$ 18,9 bilhões.

“Ontem não teve jeito e acompanhamos a derrubada dos mercados, mas foi uma oportunidade de compra e os investidores estão se acalmando hoje. Não duvido que o Trump em breve solte algum tuíte com um tom mais positivo”, disse o economista-chefe da Codepe Corretora, José Costa, que acredita que o Ibovespa pode voltar a ser negociado na faixa entre 102 e 103 mil pontos ao longo da semana. Ontem, o índice chegou a atingir os 99 mil pontos, o que não ocorria há mais de um mês.

Depois que o presidente norte-americano Donald Trump acusou a China de manipular a sua moeda e enfraquecê-la como forma de retaliação à ameaça de novas tarifas sobre produtos chineses, o Pboc definiu um ponto médio diário da negociação da moeda chinesa em 6,9683 iuanes por dólar, 0,7% abaixo do dia anterior. A decisão deixou investidores mais tranquilos, podendo evitar novas desvalorizações abruptas. Porém, mercados devem continuar sensíveis a qualquer sinal dos dois países sobre novas retaliações ou sobre a possibilidade de poderem voltar a conversar.

Já na cena doméstica, investidores ficarão atentos as conversas sobre a Previdência, para que a reforma possa ser votada no segundo turno na Câmara dos Deputados ainda nesta semana. Para Costa, também está no radar o avanço da reforma tributária.

Entre as ações, as ligadas a commodities, que tiveram fortes perdas ontem, mostraram recuperação, como as da Vale (VALE3 1,35%), apesar de novas quedas dos preços do minério de ferro hoje. As maiores altas, porém, foram das ações da Marfrig (MRFG3 7,41%), que refletiram a notícia de que a empresa firmou um acordo de exclusividade com a norte-americana Archer Daniels Midland Company (ADM) para produção e venda de produtos à base de proteína vegetal no Brasil.

As ações do IRB Brasil (IRBR3 5,86%) também ficaram entre as maiores altas refletindo seu balanço trimestral, assim como as do Magazine Luiza (MGLU3 6,08%), que subiram por estarem sendo negociadas ex-desdobramento de ações. Na contramão, as maiores perdas foram da Klabin (KLBN11 -1,35%), do Pão de Açúcar (PCAR4 -1,02%) e da Ecorodovias (ECOR3 -0,95%).

Amanhã, na agenda, destaque para os dados da balança comercial chinesa e dados de vendas no varejo e produção industrial no Brasil. Além disso, o analista-chefe da Geral Investimentos, Carlos Müller, lembra que investidores devem acompanhar o andamento de reformas no Congresso. “É um aspecto positivo, que pode impactar a Bolsa, além da guerra comercial, que também pode seguir trazendo volatilidade”, afirmou.

O dólar comercial fechou com ligeira alta de 0,02% no mercado à vista, cotado a R$ 3,9570 para venda, somando sete pregões seguidos de valorização, em meio ao ajuste técnico depois da forte alta da moeda no mercado futuro ontem, acima dos R$ 3,98, e com o exterior ainda negativo influenciado pelas incertezas com a escalada da guerra comercial entre Estados Unidos e China. Os contratos tiveram forte oscilações ao longo da sessão.

O analista da Correparti, Ricardo Gomes Filho, destaca mais uma sessão em que o dólar operou pressionado, “influenciado diretamente pela baixa predisposição de investidores em assumir riscos”, diz.

Ele ressalta que mais uma vez o “driver” da sessão foi a “conturbada” disputa comercial entre Estados Unidos e China. “Nesse contexto, o posicionamento do vice-presidente americano [Mike Pence] de que os Estados Unidos estariam aberto a impor sanções a autoridades da China renova a força da moeda”, avalia.

Amanhã, com a agenda de indicadores mais fraca, os mercados seguem acompanhando os desdobramentos envolvendo os conflitos comerciais entre norte-americanos e chineses. “Vai depender das notícias a respeito da guerra comercial”, diz o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa.

Ele acrescenta que, a valorização recente do dólar, vista como exagerada por alguns analistas, tem espaço para ir acima de R$ 4,00. “Se o quadro se agravar, por que não poderia ir para acima de R$ 4,00?”, diz.

WP Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com