Bolsa sobe pelo quarto dia e fecha no maior nível em mais de dois meses

Por Danielle Fonseca e Flávya Pereira

Apesar de desacelerar os ganhos com uma virada das ações da Petrobras durante à tarde, o Ibovespa subiu pelo quarto pregão seguido, com alta de 0,92%, aos 97.457,36 pontos. Dessa forma, encerrou no maior patamar de fechamento desde o dia 20 de março (98.041,37 pontos) e caminha para encerrar o mês de maio com ganhos, já que investidores vêm mantendo otimismo diante do cenário político mais favorável à aprovação da reforma da Previdência.

A menor aversão ao risco no exterior hoje também ajudou o Ibovespa a seguir em alta. O volume total negociado foi de R$ 15,2 bilhões.

“O pano de fundo dessa melhora é o clima mais positivo em relação às reformas, com o avanço das votações de medidas provisórias nesta semana e o pacto de Poderes proposto pelo governo, mostrando maior proximidade com a classe política”, disse o diretor de operações da Mirae Asset Corretora, Pablo Spyer.

O ambiente político mais favorável se somou às declarações consideradas positivas do ministro da Economia, Paulo Guedes, que disse hoje que está confiante na aprovação da reforma da Previdência e que estuda medidas para estimular a economia, como a liberação de contas inativas e ativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Com isso, investidores ignoraram a queda do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, que recuou 0,2% do primeiro trimestre frente ao quarto trimestre do ano passado. A queda, porém, já era esperada pelo mercado. “Essa fraqueza do PIB já estava na conta e segue a expectativa pela reforma da Previdência. O mercado espera que essa paz proposta pelo presidente permaneça”, disse o economista-chefe da Geral Investimentos, Denílson Alencastro.

No cenário externo, por sua vez, o dia foi de leve recuperação após fortes quedas dos principais mercados acionários nos últimos dois dias, embora permaneçam preocupações com a guerra comercial entre China e Estados Unidos.

Entre as ações, as da Petrobras (PETR3 0,03%, PETR4 -1,28%), que subiam mais cedo, passaram a cair refletindo a queda de mais de 3% dos preços do petróleo e a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de adiar para a semana que vem o julgamento a respeito das ações que tratam da privatização de estatais, que poderia ocorrer hoje. O STF deve discutir, entre outros pontos, se estatais podem ser vendidas sem prévia autorização legislativa. Além das ações da Petrobras, ficaram entre as maiores quedas do Ibovespa as ações da Braskem (BRKM5 -2,84%) e da Klabin (KLBN11 -1,36%).

Na contramão, as maiores altas do índice ficaram com as ações da CVC (CVCB3 5,49%), da JBS (JBSS3 5,20%), que se recuperou das fortes perdas de ontem, e da Via Varejo (VVAR3 4,80%), que subiram em meio a rumores de que a Starboard e gestora norte-americana Apollo estão interessadas em adquirir a fatia do Casino na companhia.

Amanhã, último pregão do mês, analistas acreditam que a tendência positiva do Ibovespa pode ser mantida, já que o otimismo local com a Previdência tem prevalecido. No entanto, o cenário externo também deve ser observado, assim como a repercussão de manifestações contra cortes do governo na educação que ocorrem hoje.

O dólar comercial fechou em leve alta de 0,10% no mercado à vista, negociado a R$ 3,9800 para venda, em dia de fortes oscilações da moeda norte-americana que chegou a renovar mínimas sucessivas no meio do pregão. Apesar do avanço da moeda na reta final dos negócios em meio à ajustes técnicos, o otimismo local prevaleceu na maior parte da sessão em dia de resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre do ano aqui e nos Estados Unidos.

Segundo o analista de câmbio da Correparti, Ricardo Gomes Filho, a melhora do humor dos investidores locais segue diante os avanços nos entendimentos entre os poderes executivo e legislativo focando a aprovação da reforma da Previdência. “O desmonte de posições defensivas da parte de vários players tem empurrado o dólar ‘ladeira abaixo’, mesmo a constante valorização da divisa no exterior”, comenta.

Na agenda de indicadores, a divulgação do PIB dos Estados Unidos, dentro do intervalo de variação (+3,1% ante +3,2% na leitura anterior), não chegou a impactar nos negócios aqui por aqui. “Enquanto o bom humor prevalecer aqui, tudo indica que o real continuará se apreciando. No fim da sessão, um movimento de recomposição de posições compradas, já aguardado devido às quedas dos últimos dias, motivou a divisa a fechar em leve alta”, ressalta.

Já o PIB brasileiro interrompeu uma sequência de oito trimestres seguidos de alta e caiu pela primeira vez desde 2016, ficando em -0,20% na comparação com o trimestre imediatamente anterior. Para a equipe econômica da Rosenberg Associados, o resultado “vale” um alerta.

“Caso permaneça uma relação conflituosa entre o executivo e legislativo, sinalizando dificuldades de implantação da agenda de ajustes e ampliando as incertezas, o viés da perspectiva de PIB é para baixo neste ano e para 2020. A volatilidade não deve faltar e o viés para a perspectiva de atividade econômica é negativo”, avaliam.

Amanhã, a agenda de indicadores norte-americana pode influenciar o mercado de câmbio com a divulgação dos dados sobre renda e gastos pessoas do mês passado, em que as projeções são de altas de 0,3% e de 0,2%, respectivamente. “Lembrando que é o dado mais usado pelo Fed [Federal Reserve, o banco central norte-americano] para medir a inflação norte-americana. O mercado ficará atento”, diz o economista da Renascença, Daniel Queiroz.

Hoje à noite, na China, saem os índices de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) dos setores industrial e de serviços. Já a economista-chefe de uma corretora nacional chama a atenção para o noticiário externo, principalmente, que envolva a guerra comercial entre os Estados e a China, já que o noticiário político deverá ser mais “tranquilo” por aqui.

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