Bolsa sobe e dólar fecha quase estável em pregão pré-feriado

Por Eduardo Puccioni e Flavya Pereira

São Paulo – Após subir 1,83% nessa semana, o Ibovespa promete mais uma semana de volatilidade na semana que vem com a sessão da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) que pode votar a reforma da Previdência marcada para a terça-feira (23). Hoje, o índice encerrou com alta de 1,38% aos 94.578,26 pontos. O volume financeiro foi de aproximadamente R$ 15,1 bilhões.

“Semana que vem o mais esperado é a CCJC no dia 23. Essa semana que passou o Ibovespa foi muito pressionado por reforma da Previdência e por Petrobras e hoje acabou seguindo um ajuste técnico após esses dias mais pesados. Mas declarações de pessoas do governo estão trazendo um alívio aos negócios”, explicou Pedro Galdi, analista de investimentos da Mirae Asset Corretora.

“Ontem tivemos uma entrevista muito esclarecedora do Paulo Guedes [ministro da Economia] onde ele mostrou que o governo vem se planejando para melhorar o ambiente econômico além de dizer que o governo não vai interferir na gestão das estatais”, acrescentou Galdi, destacando ainda que o aumento no preço do diesel pela Petrobras acabou sendo positivo.

O aumento nos preços do diesel anunciado ontem pela Petrobras – de 4,84% – foi muito positivo, embora tenha ficado abaixo do que havia sido anunciado originalmente pela companhia na semana passada, de 5,7%, e que foi posteriormente cancelado, afirmou o banco UBS em relatório. As ações preferenciais da Petrobras (PETR4) encerraram o pregão de hoje com alta de 3,17%, enquanto o papel ON da companhia (PETR3) avançou 1,92%.

O dólar comercial fechou em queda de 0,07% no mercado à vista, cotado a R$ 3,9320 para venda, em pregão marcado pela volatilidade local com o volume de negócios reduzido em véspera de feriado. Apesar de exibir alta em parte da sessão, acompanhando o comportamento da moeda no exterior, movimentos locais na reta final dos negócios mudaram novamente o sinal da moeda, que firmou queda até o fim das operações. Em semana mais curta, a divisa estrangeira teve valorização de 1,07%.

Para o analista-chefe da Toro Investimentos, Rafael Panonko, as oscilações ao longo do dia foram reflexo de um dia sem tendência e de um volume abaixo do normal, comum na véspera de feriado. “Além de um pouco de correção após o excesso no pregão de ontem para hoje, indo a máximas de R$ 3,95 no intraday”, comenta.

Após exibir máximas de R$ 3,9520 (+0,43%), na reta final, a moeda estrangeira passou a renovar mínimas sucessivas indo a R$ 3,9050 (-0,76%) com movimento local de vendas. “Um fluxo vendedor pontual que levou a cotação a esse nível. Mas logo esse movimento perdeu força”, avalia o diretor de uma corretora nacional.

  Para os analistas, a próxima semana começa com o mercado doméstico apreensivo e em “compasso de espera” pelo andamento da reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) na Câmara dos Deputados em que está prevista a votação do parecer sobre a proposta, na terça-feira. O relator da reforma na CCJC, Marcelo Freitas (PSL-MG), pediu revisão do texto e indicou que não necessariamente fará alterações ao texto.

“Vai voltar do feriado repercutindo alguma notícia daqui ou lá de fora durante o feriado. Na segunda, ele deve rondar os R$ 3,90, R$ 3,91. Mas, nos próximos dias, o dólar tem uma tendência de alta em reflexo das incertezas que estamos vivendo no curtíssimo prazo protagonizado pela Previdência e seus atrasos na tramitação”, reforça o analista da Toro.

O diretor da corretora acrescenta que nesta semana, a leitura é de que o dólar “pareceu” ter criado uma resistência nos R$ 3,95 “sem avançar mais. Mas a depender do que acontecer na CCJC, podemos sim ver a moeda voltando aos R$ 4”, avalia.