Bolsa sobe e dólar cai em dia sem indicadores econômicos e agenda política fraca

Por: Eduardo Puccioni e Flávya Pereira

São Paulo – Em dia fraco de indicadores econômicos e sem notícias relevantes no cenário político, o Ibovespa encerrou a sessão de hoje com alta de 0,26% aos 97.369,29 pontos. O otimismo para amanhã é para o andamento da reforma da Previdência no Brasil, quando o relator do projeto dará continuidade e enviará a proposta para avaliação técnica.

“Amanhã tem o andamento da reforma da Previdência e isso é esperado pelos investidores. Pode ser algo positivo”, afirmou Pedro Galdi, analista de investimentos da Mirae Asset Corretora, que lembrou ainda que os investidores ainda esperam pela conclusão das conversas entre os Estados Unidos e a China para encerrar a guerra comercial entre os países.

No cenário empresarial, as ações preferenciais da Bradespar (BRAP4) encerraram com a maior alta do Ibovespa, com ganho de 2,87%, seguida pela ação ordinária da Vale (VALE3), com ganho de 2,71%. “O preço do minério de ferro não para de subir e isso deve trazer bons resultados para a Vale no primeiro trimestre do ano. A Bradespar sobe por ser acionista principal da Vale”, disse Galdi.

Entre as maiores quedas do índice estão as ações ordinárias da B2W Digital (BTOW3), com retração de 4,97%, enquanto o papel preferencial da Gol (GOLL4) caiu 4,64% e a ação preferencial da Lojas Americanas (LAME4) recuou 3,65%.

Ainda sobre o cenário externo, Galdi destacou também que os investidores aguardam por novidades no processo de saída do Reuni Unido da União Europeia, conhecido como Brexit. “Essa é uma questão que pode gerar desaceleração econômica e os investidores estão aguardando os desdobramentos”, disse ele.

O dólar comercial fechou em queda de 0,61% frente ao real, cotado a R$ 3,8490 para venda, depois de exibir fortes oscilações na primeira parte dos negócios, acompanhando o desempenho da moeda norte-americana que operou mais fraca no exterior, perdendo terreno para as moedas pares e de países emergentes.

Dado como “pregão apático” pelo operador de câmbio da Correparti, Guilherme Esquelbek, na segunda parte dos negócios, o dólar “ampliou” as perdas e atingiu a mínima da sessão (R$ 3,8430, -0,77%) com a valorização do petróleo, que chegou a atingir o maior nível em cinco meses, em meio as tensões políticas.

“Isso depois do presidente norte-americano [Donald Trump] dizer que o regime iraniano é o maior país patrocinador do terrorismo”, destaca o operador. Os preços dos contratos futuros do petróleo WTI fecharam em alta ao redor de 2%, acima dos US$ 64 o barril.

O analista da Toro Investimentos, Matheus Amaral, reforça que o movimento foi “mais atrelado a fluxo, com o mercado mais comprador, do que por um driver específico. O ambiente externo foi mais favorável”, comenta.

Aqui, a reforma da Previdência segue no radar dos investidores com o mercado focado na apresentação do relatório da proposta na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), aguardada para amanhã.

Com a agenda de indicadores mais fraca no exterior, o mercado segue atento também aos desdobramentos envolvendo a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China que podem ter avanços nos próximos dias.

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