Bolsa sobe e dólar cai em dia fraco de notícias corporativas e econômicas

Por Eduardo Puccioni e Flavya Pereira

São Paulo – Após passar a maior parte da sessão em queda, o Ibovespa virou no finalzinho e encerrou o dia com alta de 0,17% aos 96.353,33 pontos. O dia foi fraco de indicadores econômicos que pudessem direcionar o mercado e o mermo aconteceu com o noticiário corporativo, com pequenas altas pontuais em empresas realizando operações no mercado.

“Em véspera de feriado os grandes investidores nem operam, faltando liquidez. Tenho grandes clientes que não querem operar. Hoje quem está operando não é investidor preocupado com a Previdência. É apenas day trade”, afirmou Ari Santos, gerente da mesa de operações da H. Commcor.

“Qualquer coisinha pode mexer para cima ou para baixo no índice. Não temos uma tendência definida. Ontem, por exemplo, o Ibovespa abriu em alta após o apoio entre Jair Bolsonaro e Rodrigo Maia, mas logo depois passou a cair. São esses movimentos no dia que não ditar o ritmo do mercado nesses próximos dias. Hoje ainda pode fechar em ligeira alta”, disse mais cedo José Costa, economista-chefe da Codepe Corretora.

Santos lembra ainda que amanhã, dia que o mercado acionário brasileiro não funcionará, tem decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) nos Estados Unidos, e isso influencia bastante hoje. “Ninguém quer ficar comprado e passar o feriado nessa posição sem saber ao certo o que será divulgado pelo Fed”, disse o especialista.

No campo positivo hoje, Santos destaca o setor de consumo, com as ações da Magazine Luiza (MGLU3) que subiram 7,14%, enquanto as ações da B2W Digital (BTOW3) avançam 1,70%. “Consumo está se beneficiando da compra da Netshoes pela Magazine Luiza. Talvez sobre alguma oportunidade para a B2W e por isso o papel está subindo. Mas mesmo assim o noticiário corporativo está fraco”, afirmou Santos.

Com o feriado amanhã, em dia de decisão do Fed, os especialistas não cravaram uma tendência ou viés para o Ibovespa na próxima sessão, ou seja, na quinta-feira. Tudo vai depender do cenário político até lá e de notícias.

O dólar comercial fechou em queda de 0,45% no mercado à vista, negociado a R$ 3,9240 para venda, em sessão marcada pela volatilidade à véspera do feriado do dia do trabalho e da decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano). A formação de preço da taxa Ptax de fim de mês corroborou para as sucessivas oscilações da moeda em dia esvaziado de notícias a respeito da reforma da Previdência e do campo político. A moeda fecha o mês valorização de 0,17%.

“O dólar passou a acompanhar o enfraquecimento da moeda no exterior, após nova rodada de indicadores fracos nos Estados Unidos, reforçando a visão dos investidores de que o Fed poderá reduzir os juros ainda este ano”, comenta o operador de câmbio da Correparti, Guilherme França.

Apesar de ligeira valorização no mês, a cotação do dólar acumula dez pregões seguidos acima de R$ 3,90, o que para o operador da corretora Advanced, é “mais especulação do que por fundamento”, diz.

Ele acrescenta que a moeda pode até voltar a operar acima do nível de R$ 4,00, como na semana passada, porém, uma possível intervenção do Banco Central (BC) no mercado de câmbio deverá conter o ímpeto de alta, principalmente, “se for apenas por fatores locais. Enquanto não houver avanço concreto da reforma da Previdência, o dólar seguirá nesse patamar”, destaca.

Com o feriado no mercado local amanhã, o dólar deverá reagir não só ao Fed como também outros indicadores que serão divulgados amanhã nos Estados Unidos, entre eles, os dados de criação de empregos no setor privado (ADP) em abril. Os números são a prévia do relatório de emprego norte-americano, o payroll, que será divulgado na sexta-feira.

“Além disso, terá decisão de política monetária na Inglaterra, a volta da discussão em torno do Brexit [acordo de saída do Reino Unido da União Europeia] e o mercado espera novidades quanto a rodada de negócios entre norte-americanos e chineses. São vários fatores para repercutir na abertura, só não dá para saber qual será a direção. Vai depender dos números”, reforça a economista da CM, Camila Abdelmalack.

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