Bolsa sobe e dólar cai em dia de tranquilidade externa e cenário político interno conturbado

Por Eduardo Puccioni e Flavya Pereira

São Paulo – O Ibovespa encerrou a sessão de hoje com alta de 0,39% aos 92.092,44 pontos, acompanhando a melhora no cenário externo, mas demonstrando certa cautela de olho no cenário político interno. Para amanhã, o índice seguirá sem um viés definido, aguardando notícias que possam dar uma indicação de melhora no otimismo dos investidores.

“Tá difícil de prever o que pode acontecer com o mercado, ainda mais quando se depende de um acordo comercial entre os Estados Unidos e a China. Temos ainda um desconforto interno com o cenário político e a questão de Gol”, afirmou Leonardo Ramos, sócio da DNAinvest.

Para um analista de mercado de um grande banco, nem mesmo o mercado externo está conseguindo animar os investidores por aqui. “São tantos acontecimentos contrários, ainda mais com cenário político brasileiro. Cada dia temos uma notícia nova envolvendo a família Bolsonao”, explicou, lembrando ainda o descolamento do mercado à vista do futuro. “O índice futuro descolou completamente, isso mostra a tensão dos investidores”, disse.

Por volta das 17h20 (horário de Brasília), o contrato futuro de Ibovespa com vencimento em junho de 2019 apresentava avanço de 1,63% aos 92.540 pontos.

Sobre a Gol, as ações preferenciais da companhia (GOLL4) recuavam 2,91%. O juiz federal Vallisney de Souza Oliveira, da 10a Vara Federal em Brasília, homologou acordo de delação premiada fechado entre o empresário Henrique Constantino, um dos sócios da empresa aérea Gol, e o Ministério Público Federal (MPF). A decisão foi assinada no mês passado e divulgada ontem, após o magistrado retirar parte do sigilo dos depoimentos.

Na delação, o empresário citou supostos pagamentos para obter benefícios na liberação de recursos do Fundo de Investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI-FGTS), usado para financiar obras de infraestrutura. Henrique Constantino é um dos réus na ação penal aberta pelo magistrado sobre o caso.

Por fim, no caso do filho do presidente Bolsonaro, a justiça do Rio de Janeiro pediu a quebra do sigilo bancário e fiscal do senador Flavio Bolsonaro e de seu ex-assessor Fabrício Queiroz. Esse é o primeiro passo judicial na investigação que apura suposta movimentação de R$ 1,2 milhão por QUeiroz.

O dólar comercial fechou com ligeira queda de 0,05%, no mercado à vista, cotado a R$ 3,9770 para venda, influenciado pelo cenário de correção no exterior com desvalorização da moeda

norte-americana ante as divisas emergentes. Porém, a queda foi limitada em tom de cautela gerado pelas notícias na política local, em sessão de volume de negócios baixo.

“Os imbróglios na política local não permitiram que os ativos acompanhassem a melhora exibida no exterior”, avalia o diretor da corretora Mirae Asset, Pablo Spyer. Aqui, as notícias envolvendo o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o clã Bolsonaro preocuparam investidores e pesaram no mercado à vista.

Maia foi citado em um acordo de delação do empresário e um dos donos da companhia aérea Gol, Henrique Constantino, de envolvimento em esquema de propina. O nome do ex-presidente Michel Temer e de outros políticos do MDB, como o ex-deputado Eduardo Cunha, também foram citados. Investidores temem que o desenrolar dos fatos possam respingar na tramitação da reforma da

Previdência.

Outra notícia política foi a autorização dada pela Justiça do Rio de Janeiro ao Ministério Público do estado para a quebra dos sigilos bancário e fiscal do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e seu ex-assessor, Fabrício Queiroz. Para o operador de câmbio de uma corretora nacional, essas notícias sobrecarregam o ambiente político, em um momento de “intensas dificuldades” em Brasília. 

Amanhã, os dados de atividade da China e de vendas no varejo nos Estados Unidos em abril tendem a influenciar o comportamento da moeda na abertura dos negócios. Para Spyer, a tendência é de dia mais positivo no exterior e aqui dando continuidade ao ajuste técnico exibido hoje lá fora. Mas alerta que o mercado segue atento às ameaças entre Estados Unidos e China na questão da guerra comercial e ao noticiário político local.

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