Bolsa sobe e dólar cai em dia de otimismo com andamento da reforma da Previdência

Por Eduardo Puccioni e Flavya Pereira

São Paulo – O Ibovesoa encerrou a sessão de hoje com alta de 1,27% aos 95.596,61 pontos, com os investidores apresentando otimismo com a apresentação do ministro da Economia, Paulo Guedes, na comissão especial sobre a reforma da Previdência na Câmara dos Deputados.

“O cenário local segue acompanhando o Guedes. A fala dele foi importante e a apresentação dos números foi importante. Com tudo que vem acontecendo na semana, com a guerra comercial entre Estados Unidos e China e o resultado ontem da Petrobras abaixo do esperado, esperávamos um mercado caindo mais. Nos surpreendeu essa alta de hoje”, disse Eduardo Guimarães, especialista em ações da Levante Investimentos.

Guimarães destaca que os números apresentados pela Petrobras ontem foram abaixo do previsto e que as ações da companhia já vinham caindo por causa dessa percepção que já era ruim do resultado. Mesmo assim, as ações preferenciais da Petrobras (PETR4) encerraram o dia com alta de 3,87%, enquanto a ação ordinária da estatal (PETR3) avançou 3,42%. “Até mesmo as ações da Cielo surpreenderam hoje subindo mais de 4%”, disse.

Porém, para amanhã, o especialista afirma que é difícil prever qualquer cenário. “Vamos analisar amanhã de manhã, lendo o noticiário da manhã, qual poderá ser o comportamento do mercado. Não dá para prever se vai subir ou cair, tem muita coisa importante acontecendo no mundo e na cena local”, afirmou Guimarães.

O dólar comercial fechou em queda de 0,88% no mercado à vista, cotado a R$ 3,9350 para venda, refletindo o otimismo do mercado local com notícias no cenário político e atento à participação do ministro da Economia, Paulo Guedes, na comissão especial na Câmara dos Deputados que trata da reforma da Previdência.

O diretor de uma corretora nacional destaca o resultado das negociações do executivo com as lideranças do Centrão, “ensejando a reativação de dois ministérios”, comenta. Com o aval do presidente Jair Bolsonaro, o Ministério do Desenvolvimento Regional deverá se desmembrar em duas pastas, das Cidades e da Integração Nacional, e deverão ser comandadas por nomes de partidos do centro.

Além de sinais de avanços da articulação do governo com o Congresso, as expectativas de investidores com a presença do ministro Paulo Guedes na comissão especial da Câmara também aliviaram os negócios no mercado local. O ministro reiterou a importância da reforma e que a economia prevista de R$ 1 trilhão em 10 anos é suficiente “apenas para conter o buraco na atual Previdência”. Mas a moeda teve poucas oscilações enquanto o ministro discursava na comissão.

No exterior, o sentimento foi de trégua na guerra comercial entre Estados Unidos e China após o presidente norte-americano, Donald Trump, confirmar que o vice-primeiro-ministro da China, Liu He, que chegará ao país para assinar o acordo comercial entre eles depois de um início de semana conturbado com as ameaças de Trump em elevar as tarifas (de 10% para 25%) sobre US$ 200 bilhões de produtos chineses.

Amanhã, com a agenda de indicadores mais fraca, o mercado deverá repercutir a sessão que discute a reforma da Previdência na comissão especial na Câmara dos Deputados e contou com a presença do ministro da Economia, Paulo Guedes. Como também, o comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), a ser divulgado daqui a pouco, com a decisão sobre a taxa de juros. O mercado aposta em manutenção da taxa básica de juros (Selic) pela nona vez seguida, em 6,50% ao ano (aa).

“O mercado está atento ao tom do comunicado. Por mais que tenha dados de atividade muito fracos, a reforma da Previdência ainda esteja em fase prematura, eu não vejo espaço para corte de juros neste ano. Há muito risco externo para os mercados emergentes vindo da guerra comercial entre Estados Unidos e China”, comenta a economista da Capital Markets, Camila Abdelmalack.

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