Bolsa sobe e dólar cai em dia de melhora no humor após decisão do STF sobre estatais

Por Danielle Fonseca e Flavya Pereira

São Paulo – O Ibovespa fechou em alta pelo segundo pregão seguido, com ganhos de 0,63%, aos 97.821,26 pontos, sustentado pela aprovação da venda de estatais sem o aval do Congresso pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pelo bom humor no cenário externo. No entanto, o índice mostrou uma leve desaceleração ao longo da tarde, já que há alguma cautela à espera de novidades sobre a reforma da Previdência na semana que vem. O volume negociado foi de R$ 12,4 bilhões. Na semana, o índice avançou 0,82%.

“Hoje é um dia positivo, que se reflete na alta de blue chips. As ações da Petrobras sentem a confirmação do entendimento do STF de que vendas estatais não precisam de autorização e o petróleo está subindo”, destacou o analista da corretora Necton, Glauco Legat. A votação no STF liberou a venda da TAG pela Petrobras (PETR3 2,71%; PETR4 1,82%) e deve ajudar também a venda de outros ativos, em um dia de recuperação dos preços do petróleo após quedas recentes.

O dia ainda foi de alta de ações de bancos como o Itaú Unibanco (ITUB4 1,06%). Já a maior valorização do Ibovespa foi das ações da Estácio (ESTC3 8,06%), que refletiram recomendação positiva do Itaú BBA e declarações do ministro da Educação, Abraham Weintraub, que disse que o setor privado de educação deve crescer muito nos próximos anos. Na contramão, as maiores perdas são da BRF (BRFS -4,56%), da Hypera (HYPE3 -2,87%) e da Cielo (CIEL3 -2,90%).

No exterior, por sua vez, as bolsas norte-americanas operaram com fortes altas em meio a expectativas de cortes da taxa de juros depois que os números do mercado de trabalho norte-americano (payroll) vieram mais fracos do que o esperado pelo mercado, além de crescerem esperanças de que o México e os Estados Unidos possam chegar a um acordo sobre tarifas, arrefecendo temores vistos sobre a guerra comercial no início da semana.

Porém, os analistas lembram que as atenções seguem voltadas para a reforma da Previdência, com divergências entre alguns pontos, como sobre a inclusão dos estados e municípios. A expectativa é que o relatório da reforma seja apresentado na semana que vem na comissão especial, mas ainda há dúvidas de quando pode ser votado. “Essa alta mais tímida do Ibovespa pode ser por expectativas em torno da Reforma da Previdência, do texto do relator “, disse o analista da Terra Investimentos, Régis Chinchila.

No geral, no entanto, analistas ainda vem um tom positivo para a Bolsa e veem investidores acompanhando de perto principalmente as votações no Congresso. “Os últimos dias foram bons, houve aprovação de medidas de que estavam para caducar e acho que pode seguir nesse tom, apesar de alguns ruídos em torno da Previdência. Mas saindo um texto que traga economia acima de R$ 700 bilhões já será um cenário otimista”, acredita o analista da Necton.

O dólar comercial fechou em queda de 0,12% no mercado à vista, cotado a R$ 3,8780 para venda, influenciado pela sessão mais positiva para as moedas de países emergentes reagindo aos dados mais fracos do relatório de empregos dos Estados Unidos, o payroll. Na semana, a moeda caiu 1,19%, acumulando três semanas consecutivas de recuo.

O operador de câmbio da Correparti, Guilherme França, destaca que, além do “aparente” avanço nas negociações comerciais entre os Estados Unidos e o México, o payroll levou a moeda a bater mínimas consecutivas, chegando a ser cotada na casa de R$ 3,85. “Após a moeda chegar ao ‘piso psicológico’ [R$ 3,85] e ter ficado ‘barata’, investidores locais foram às compras e se protegeram à véspera do fim de semana”, comenta.

Foram criadas 75 mil vagas de trabalho, “bem” abaixo da previsão de 190 mil vagas, “reforçando a expectativa de corte de juros em breve pelo Federal Reserve [Fed, o banco central norte-americano]”, reforça França.

As declarações de dirigentes de Banco Centrais ao longo da semana ajudaram a alimentar as apostas de afrouxamento monetário em algumas economias, como a local. O Banco Central Europeu (BCE) sinalizou que manterá a taxa de juros por mais tempo, até o primeiro semestre de 2020, enquanto Fed diz que vê espaço para cortes no curto prazo, porém, atento aos impactos que a guerra comercial entre Estados Unidos e China pode provocar.

“O cenário de menos crescimento e mais protecionismo, somado ao comportamento contido da inflação, aumentou as apostas de corte do juro norte-americano. Acreditamos que os próximos movimentos do Fed estarão condicionados ao desempenho dos dados correntes. Esperamos duas reduções neste ano, como forma de evitar uma desaceleração mais intensa da atividade”, avalia a equipe econômica do Bradesco.

Para segunda-feira, os investidores devem ficar atentos aos desdobramentos da disputa comercial entre norte-americanos e mexicanos, em meio a promessa do presidente Donald Trump de aplicar tarifas de 5% sobre produtos do México. Na política local, o analista da Toro Investimentos, Matheus Amaral, chama a atenção para os desdobramentos da reforma da Previdência, “com governadores fazendo pressão para a inclusão de estados e municípios na proposta”, diz.

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