Bolsa sobe e dólar cai em dia de incentivo econômico do governo com liberação do FGTS

Por Danielle Fonseca e Flavya Pereira

São Paulo – O Ibovespa fechou em alta de 0,40%, aos 104.119,54 pontos, mantendo a alta moderada após investidores não chegarem a se surpreender com o anúncio das regras da liberação do FGTS e PIS/Pasep no final do pregão. As ações de varejistas, porém, mostraram alguma melhora e o índice ainda foi influenciado por ações de empresas que divulgaram balanços trimestrais. A queda de papéis de siderúrgicas e mineradoras também impediram uma alta maior do Ibovespa. O volume total negociado foi de R$ 16,9 bilhões.

Há pouco, o governo confirmou a liberação de R$ 42 bilhões para saques de contas ativas e inativas do FGTS e para o PIS/Pasep neste ano e no ano que vem, sendo R$ 30 bilhões ainda em 2019. O valor já havia sido informado ontem pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. O limite para os saques imediatos do FGTS será limitado a R$ 500,00, porém, também será instituído o saque-aniversário a partir de 2020, no qual será permitido ao trabalhador sacar um percentual da sua conta do FGTS todo ano.

Apesar da espera do mercado pelas regras, depois de diversas dúvidas, o sócio da Criteria Investimentos, Vitor Miziara, acredita que boa parte da medida “já estava no preço”, o que explica a manutenção da alta do Ibovespa. Agora, analistas devem avaliar possíveis impactos no consumo e no PIB,deste ano, embora vejam efeitos limitados.

As ações de algumas varejistas passaram a subir com mais força após o anúncio, caso das ações da Via Varejo (VVAR3 5,78%), que fecharam entre as maiores altas do Ibovespa. Porém, as ações da Cielo (CIEL3 12,89%) foram a maior alta, disparando após declarações do presidente da companhia, Paulo Caffarelli, e com bancos avaliando melhor a estratégia da empresa, apesar de os resultados trimestrais terem vindo negativos mais uma vez. Para o BTG Pactual, por exemplo, a Cielo fez o que podia para manter sua fatia de mercado, mantendo a recomendação “neutra” para os papéis.

Na contramão, as maiores quedas do Ibovespa foram de ações de mineradoras e siderúrgicas, em um dia de fortes quedas dos preços do minério de ferro na China, caso das ações da CSN (CSNA3 -3,92%), do Bradespar (BRAP4 -2,53%) e da Vale (VALE3 -2,14%). A Vale informou que recebeu autorização da Agência Nacional de Mineração (ANM) para o retorno parcial das operações a seco do Complexo Vargem Grande, sendo que uma maior oferta de minério de ferro no mercado, pode levar a queda de preços. Ainda tiveram fortes perdas os papéis da Equatorial (EQTL3 -3,31%).

“Se não fosse a queda da Vale poderíamos ter tido uma alta maior, além disso, a expectativa de corte de juros alimenta a Bolsa, que pode ser uma alternativa para investimentos”, disse o gerente da mesa de operações da H.Commcor, Ari Santos.

Amanhã, o destaque será a reunião do Banco Central Europeu (BCE), às 8h45, depois o presidente do BCE, Mario Draghi, concederá entrevista coletiva às 9h30. Há expectativa de que possa ser anunciado ou, pelo menos, sinalizado algum estímulo para a economia da região, movimento que pode ser seguido por outros bancos centrais e que tem sido esperado ansiosamente por investidores.

O dólar comercial fechou em queda de 0,10% no mercado à vista, cotado a R$ 3,7700 para venda, desacelerando-se do recuo sustentado em boa parte do pregão na reta final dos negócios seguindo o exterior, onde a moeda estrangeira passou a operar com viés de alta frente às principais moedas pares. Lá fora, investidores aguardam as decisões de política monetária de bancos centrais como o da Europeu, amanhã.

O analista de câmbio da Correparti, Ricardo Gomes Filho, destaca o baixo volume de negócios no mercado doméstico e como “consequência”, pouca volatilidade no dólar. “Entradas de recurso estrangeiro visando ofertas de ações de grandes empresas na bolsa de valores brasileira contribuiu para o dólar manter o viés de queda”, comenta.

À espera do grande evento de amanhã, a decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), seguida pelo discurso do presidente da instituição, Mario Draghi, investidores aguardam por um possível ciclo de estímulos por bancos centrais.

O afrouxamento monetário pode ter continuidade na próxima semana nos Estados Unidos, com apostas fortes de que o Federal Reserve (Fed) poderá reduzir a taxa de juros, e aqui, com o mercado vendo espaço para o Banco Central brasileiro também reduzir a taxa Selic, em 0,25 ou 0,50 ponto percentual (pp).

Sobre o BCE, porém, o operador de câmbio da corretora Advanced, Alessandro Faganello, diz que a dúvida é sobre a decisão de cortar ou não a taxa de juros na zona do euro. “Enquanto uns acreditam que o BCE fará um corte de 0,10 pp amanhã, outros apostam que irão manter inalterado em -0,40%. Eu acredito que vão manter, mas devem sinalizar um afrouxamento monetário em breve. De qualquer forma, vejo espaço para corte em setembro”, diz.

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