Bolsa sobe e dólar cai em dia de correção e aguardando resultado da CCJC sobre Previdência

Por Danielle Fonseca e Flavya Pereira

São Paulo – Depois de cair quase 2% na última sexta-feira, o Ibovespa fechou com alta de 0,22%, aos 93.082,97 pontos, tentando corrigir parte das perdas recentes enquanto investidores aguardam novidades sobre a reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) e sobre o reajuste de combustíveis da Petrobras, com uma reunião entre o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre o assunto.

A incerteza no cenário doméstico e o vencimento de opções sobre ações fizeram o índice mostrar alguma volatilidade ao longo do dia e impediram que o índice acelerasse ganhos. O volume total negociado foi de R$ 21,3 bilhões, sendo R$ 6,12 bilhões do vencimento de opções.

Agora à tarde, as atenções do mercado se voltaram para o início da sessão da CCJC, onde será discutida ainda a inversão da pauta do dia. Se a proposta for aprovada, a Proposta de Emenda à Constituição do orçamento impositivo ganhará prioridade em detrimento da reforma da Previdência, sendo que a expectativa era que a reforma pudesse ser votada amanhã.

“A possibilidade de atraso da Previdência na CCJC pesa um pouco porque o esperado era que ela passasse fácil na comissão. O atraso por si só não é tão ruim, mas se atrasar é porque a questão pode não estar tão costurada ou porque há ainda dificuldade de articulação”, avalia o sócio da Criteria Investimentos, Vitor Miziara.

Um operador de uma corretora também destaca que é esperada maior clareza sobre a política de aumento de combustíveis da Petrobras e se o governo continuará a intervir na gestão da estatal depois que Bolsonaro decidiu suspender o aumento dos preços do diesel na semana passada, o que fez os papéis da estatal caírem mais de 7% no último pregão. “O mercado espera a reunião de Guedes com Bolsonaro, é preciso acertar isso, mas a repercussão pode ficar para amanhã”, disse. 

Amanhã, a reforma da Previdência e a Petrobras devem continuar no foco, no entanto, também serão esperados dados da produção industrial norte-americana e indicadores da economia chinesa, como o PIB do país, vendas no varejo e produção industrial.

O dólar comercial fechou em queda de 0,56% no mercado à vista, negociado a R$ 3,8680 para venda, em dia de baixo volume de negócios e corrigindo das recentes altas da moeda estrangeira, na contramão da maioria das moedas de países emergentes. Enquanto lá fora, o dólar operou comportado, corroborando para a valorização da moeda local.

“O dólar seguiu o exterior em uma realização natural devida as últimas altas”, comenta o diretor da corretora Mirae Asset, Pablo Spyer. Já o diretor de uma corretora nacional reforça que a expectativa pela aprovação do parecer favorável à admissibilidade da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da reforma da Previdência na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados, corroborou para o recuo da moeda estrangeira.

Neste momento, a CCJC discute requerimentos apresentados por parlamentares da oposição para a inversão da pauta, colocando a votação do relatório da PEC do Orçamento Impositivo antes do relatório da reforma da Previdência.

Amanhã, com a agenda de indicadores mais fraca no mercado local, investidores devem ficar atentos aos desdobramentos da tramitação da proposta da Previdência. “Se o mercado sentir que essa fase pode demorar mais, passando a votação para quarta-feira, o dólar tende a se estressar. Investidores estão reagindo à velocidade de aprovação da reforma”, comenta Spyer.

Lá fora, nos Estados Unidos, sairão os dados da produção industrial em março, com estimativa de alta de 0,2%. “O indicador pode mexer com o dólar porque é um catalisador Fed [Federal Reserve, o banco central norte-americana]”, reforça o diretor da Mirae.

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