Bolsa sobe e dólar cai em dia de cautela e ligeiro otimismo com possível acordo entre EUA e China

Por Danielle Fonseca e Flavya Pereira

São Paulo – Após cair quase 2% ontem, o Ibovespa voltou a subir e encerrou em alta de 0,59%, aos 100.688,63 pontos, amparado por esperanças de avanços nas negociações comerciais entre China e Estados Unidos e pelo andamento da reforma da Previdência. A alta, no entanto, foi limitada pela ausência de novidades contundentes nesta quarta-feira. O volume negociado foi de R$ 16,8 bilhões.

“Já vínhamos de um pregão negativo e aqui não tivemos grandes novidades que mudassem muito o panorama, mas a reforma da Previdência continua andando e houve um tom mais otimista do secretário norte-americano sobre um acordo entre os Estados Unidos e a China”, disse o analista da corretora Coinvalores, Felipe Silveira.

Hoje, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Steven Mnuchin, afirmou que o acordo comercial com a China está 90% encaminhado, e que o encontro do G-20, no fim desta semana, será uma grande oportunidade, o que ajudou índices norte-americanos a operarem em alta na maior parte do dia. O presidente norte-americano, Donald Trump, também afirmou que está feliz com a situação atual, porém, afirmou que aplicará tarifas adicionais às importações chinesas se não chegarem a um acordo.

Já na cena doméstica, o foco segue na Previdência. Apesar da notícia de que a votação da reforma da comissão especial da Câmara irá atrasar e ocorrer apenas na semana que vem, a expectativa ainda é que o projeto possa chegar ao plenário da Câmara e ser votado antes do recesso parlamentar, que começa no dia 18 de julho.

Para Silveira, a questão do cronograma ainda não preocupa tanto os investidores já que a perspectiva é de aprovação no Congresso, no entanto, um atraso maior poderia ter impacto negativo no índice no curto prazo. Também serão observadas possíveis alterações do texto do relator na comissão especial, que devem ser mostradas amanhã.

Entre as ações, as ordinárias da Petrobras fecharam em queda, embora as preferenciais tenham subido (PETR3 -0,48%; PETR4 0,58%). Segundo o gerente da mesa de operações da H.Commcor, Ari Santos, a diferença entre os tipos de ações se deve a ajustes em função da precificação em R$ 30,25 por ação da estatal na oferta pública que a Caixa Econômica Federal está fazendo das ações que detém na estatal. O dia ainda foi de alta dos preços do petróleo e a companhia informou que fará uma nova rodada de ofertas finais dos Polos Enchova e Pampo, conjunto de campos em produção localizados na Bacia de Campos.

Já os papéis de bancos, também com grande peso no Ibovespa, tiveram um dia positivo, com destaque para os papéis do Itaú Unibanco (ITUB4 2,38%). As maiores altas do índice, por sua vez, ficaram com as ações da Eletrobras (ELET3 3,10%), da Itaúsa (ITSA4 3,10%) e da BR Distribuidora (BRDT3 2,92%). Na contramão, as maiores baixas foram da JBS (JBSS3 -2,60%), da Rumo (RAIL3 -1,58%) e da CVC (CVCB3 -1,38%).

Amanhã, investidores devem continuar acompanhando o andamento da reforma na comissão especial, além de observarem o relatório trimestral de inflação do Banco Central (BC) e a coletiva do presidente do BC, Roberto Campos Neto, às 11h. Já no exterior, o destaque na agenda é o PIB dos Estados Unidos, às 9h30, e os pedidos de seguro-desemprego do país, no mesmo horário. Para o gerente da H.Commcor, a tendência é que o Ibovespa continue rondando os 100 mil pontos no curto prazo, a não ser ocorrerem novidades de peso que mudem o cenário atual.

O dólar comercial fechou em queda de 0,12% no mercado à vista, cotado a R$ 3,8480 para venda, depois de fortes oscilações ao longo do dia, operando em campos positivo e negativo, influenciado por falta de liquidez no mercado à vista somado a incertezas no exterior, onde investidores aguardam por um acordo comercial entre os Estados Unidos e China no fim da semana durante o G-20. Por aqui, segue a espera pela votação do parecer final da reforma da Previdência na comissão especial da Câmara dos Deputados amanhã ou na semana que vem.

O operador de câmbio da Correparti, Guilherme França, destaca a pouca liquidez que prevalece no mercado à vista, o que tem feito o Banco Central a atuar no mercado em dois pregões seguidos com a oferta de leilões de linha – venda de dólar com compromisso de recompra – colocando US$ 2,0 bilhões no mercado. Enquanto lá fora, o viés otimista prevaleceu em boa parte do pregão após declarações do secretário do Tesouro norte-americano, Steven Mnuchin, de que o acordo comercial entre os Estados Unidos e a China “está 90% completo”, podendo ser firmado no encontro entre Trump e Xi no fim da semana.

No mercado doméstico, segue a espera pela votação do parecer final do texto da reforma na comissão especial. Hoje, foi concluída a fase de discussão do parecer do relator Samuel Moreira (PSDB-SP). Amanhã, haverá apresentação pelo relator com complementação ao documento. A votação na comissão especial, porém, deverá ser na semana que vem.

De qualquer forma, diz França, investidores locais monitoram a possibilidade de votação ainda essa semana. Para a economista da Capital Markets, Camila Abdelmalack, o mercado está precificando não o cumprimento do calendário das votações, se haverá atraso ou não.

“Há uma apreensão de que se a reforma não for aprovada na Câmara antes do recesso parlamentar [a partir de 18 de julho] isso poderá impactar a decisão de política monetária do Banco Central. Ela sendo votada, fica a expectativa de um afrouxamento monetário já na reunião do Comitê de Política Monetária [Copom] no fim de julho”, avalia.

Amanhã, o destaque na agenda de indicadores fica com a divulgação da terceira prévia do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos do primeiro trimestre deste ano e com o Relatório Trimestral de Inflação (RTI) divulgado pelo banco central brasileiro. Para a economista da CM, o RTI pode trazer sinalizações sobre o ciclo monetário no segundo semestre.

“Pode haver correção a respeito das apostas do mercado de que haverá corte de juros em julho. Será preciso entender as perspectivas do BC para a nossa economia. O documento será importante para calibrar as apostas do ciclo de afrouxamento monetário que o mercado está precificando”, comenta.