Bolsa sobe e dólar cai em dia de cautela e influência externa

Por Danielle Fonseca e Flavya Pereira

São Paulo – O Ibovespa fechou em alta de 0,16%, aos 102.818,93 pontos, em linha com os ganhos das bolsas norte-americanas e puxado pelos papéis do Itaú Unibanco e Ambev. Os papéis da Petrobras, porém, pesaram sobre o índice e impediram uma alta maior, depois que a companhia reviu para baixo a sua meta de produção de petróleo. O volume negociado total negociado foi de R$ 18,9 bilhões. Na semana, o Ibovespa caiu 0,61%.

“Essa queda um pouco mais expressiva da Petrobras acaba naturalmente prejudicando o desempenho do índice hoje, mas as oscilações estão bem pequenas, não temos grandes novidades”, disse o analista-chefe da Geral Investimentos, Carlos Müller.

As ações da Petrobras caíram mais de 2% (PETR3 -2,91%; PETR4 -2,78%) e registram as maiores perdas do Ibovespa depois que a companhia alterou sua meta de produção para 2019 diante de problemas nas plataformas de Búzios, prevendo agora uma variação de 2,5% para mais ou menos, passando de 2,8 milhões de boed para 2,7 milhões de boed.

Por outro lado, as ações do Itaú Unibanco (ITUB4 1,82%) passaram a subir com mais força antes da divulgação do resultado trimestral da companhia na segunda-feira. Os papéis da Ambev (ABEV3 1,94%) são outros com grande peso no Ibovespa que fecharam com alta expressivas. Já as maiores valorizações do índice foram das ações da Gol (GOLL3 6,35%), da Cyrela (CYRE3 4,18%) e da Smiles (SMLS3 4,18%). As ações da Gol refletiram dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que mostraram que o número de passageiros em voos internacionais bateu recorde no semestre.

No cenário por sua vez, as bolsas norte-americanas também fecharam em leve alta após dados do PIB do país, que vieram levemente acima do esperado, mas mantiveram apostas em cortes de juros. Além disso, refletiram balanços corporativos positivos.

Na semana que vem, o foco do mercado será nas reuniões do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e do Comitê de Política Monetária (Copom), que ocorrerão na próxima quarta-feira. Investidores esperam ansiosamente pela confirmação de cortes nas taxas de juros. “O foco será o Fed, mas tem também a temporada de balanços aqui e lá fora, que têm vindo relativamente positivos”, disse o analista da Necton Corretora, Glauco Legat. Entre os balanços previstos estão o do Itaú, Vale, Petrobras, entre outros.

O dólar comercial fechou em queda de 0,29% no mercado à vista, cotado a R$ 3,7730 para venda, em sessão de poucas oscilações na segunda parte dos negócios, em meio à negócios reduzidos, investidores à véspera do fim de semana e à espera de uma semana carregada de decisões quanto a taxa de juros em importantes economia e indicadores econômicos fortes. No mercado local, a liquidez corroborou para a queda da moeda estrangeira. Na semana, a moeda estrangeira se valorizou em 0,72%.

O diretor superintendente de câmbio da Correparti, Jefferson Rugik, destaca o movimento no começo da sessão após a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) norte-americano no segundo trimestre, um pouco acima das previsões (+2,1% ante projeção de +2,0%).

Ele ressalta que aqui, porém, o mercado respeitou o leilão de linha do Banco Central (BC), com vencimentos em setembro e outubro, em que foram aceitas três propostas totalizando de US$ 425,0 milhões, do total de US$ 1,0 bilhão para vencimento em setembro, quatro propostas somando US$ 575,0 milhões, de US$ 1,0 bilhão.

Na próxima semana, com a agenda carregada de indicadores nos Estados Unidos, na zona do Euro, Alemanha e na Ásia, como dados de emprego e da atividade industrial, o grande destaque ficará para as decisões de política monetária dos bancos centrais do Japão, dos Estados Unidos, brasileiro e da Inglaterra. Porém, as atenções se voltam ao BC norte-americano, Federal Reserve (Fed).

A aposta majoritária do mercado é de corte de juros, porém, a dúvida ainda é quanto a magnitude do corte, com apostas de 0,25 ponto percentual (pp) e de 0,50 pp. Para a equipe econômica da Capital Economics (CE), uma possível redução de 0,25 pp pode “não cair bem” nos mercados.

“O resultado é que depois de uma semana, quando o BCE [Banco Central Europeu] desapontou os mercados, embora tenha sugerido um corte de taxa e que mais flexibilização quantitativa estava a caminho, o Fed arrisca uma reação semelhante no mercado se reduzir a taxa de juros em apenas 0,25 pp, particularmente se houver um ou mais dissidentes favoráveis ao aperto monetário [‘hawks’]”, dizem os analistas da CE.

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