Bolsa sobe e dólar cai em dia de ajuste após mercados fechados ontem no Brasil

Por Danielle Fonseca e Eduardo Puccioni

São Paulo – O Ibovespa encerrou em alta de 1,70%, aos 102.012.64 pontos, renovando o recorde histórico de fechamento pelo segundo pregão seguido, refletindo o movimento expansionista de bancos centrais mundiais e a disparada dos preços do petróleo vistos no exterior na última quinta-feira.

A máxima do dia foi de 102.099,65 pontos, também novo recorde histórico intradiário, deixando para trás o recorde de 100.438,87 pontos atingido durante o pregão do dia 19 de março. O volume negociado foi de R$ 19,1 bilhões, considerado elevado por analistas, principalmente para uma emenda de feriado.

Para o economista-chefe da Codepe Corretora, José Costa, o Ibovespa, aos poucos, está galgando novos patamares e pode continuar nesse ritmo caso o cenário positivo se mantenha e a tensão entre os Estados Unidos e Irã e a guerra comercial não tragam novas preocupações. Ele destaca o volume negociado hoje, que considerou forte.

Já o economista da Necton Corretora, Glauco Legat, ressalta que esse movimento recente de alta do Ibovespa tem como “contexto o movimento expansionista de bancos centrais”, já que juros baixos fazem a renda variável atrair mais investimentos. Ele também acredita que o andamento da reforma da Previdência, mesmo que “aos trancos e barrancos” é outro fator que tem dado sustentação ao índice. “A Previdência está praticamente precificada, eu diria que se houver uma aprovação de uma reforma de cerca de R$ 700 bilhões será neutro, mas qualquer coisa acima ou abaixo terá efeito positivo ou negativo, respectivamente”, afirmou.

Ontem, no cenário externo, os mercados acionários refletiram as sinalizações mais suaves (“dovish”) do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e de outros bancos centrais, como o do Japão e da Inglaterra. O Comitê de Política Monetária (Copom) também se mostrou mais propenso a cortes de juros se a reforma da Previdência seja aprovada. A quinta-feira também foi de forte alta dos preços do petróleo, que refletiram reações dos Estados Unidos, depois que o Irã derrubou um drone norte-americano.

Essa subida da commodity foi sentida pelas ações da Petrobras (PETR3 3,08%, PETR4 2,76%), que têm grande peso no Ibovespa e puxaram o índice. A Petrobras ainda anunciou hoje que iniciou a fase vinculante para a venda da Liquigás. Já entre as maiores altas do índice ficaram as ações da B3 (B3SA3 6,31%), da Cielo (CIEL3 6,28%) e da MRV (MRVE3 5,10%). A B3 aprovou o pagamento de R$ 390 milhões em juros sob capital próprio.

Na contramão, as maiores quedas foram das ações da Azul (AZUL4 -2,51%), da Smiles (SMLS3 -3,15%) e da Sabesp (SBSP3 -2,38%). As ações da Smiles ainda refletem ao anúncio que as companhias não chegaram a um acordo sobre reestruturação societária.

Na semana que vem, investidores devem continuar a acompanhar o andamento da reforma da Previdência e possíveis desdobramentos da tensão entre Irã e Estados Unidos. Para os analistas, o tom positivo pode ser mantido caso não ocorram surpresas, embora também não sejam descartadas leves realizações de lucro depois de fortes ganhos nesta semana.

O dólar comercial encerrou a sessão de hoje com queda de 0,67%, sendo negociado a R$ 3,8250 para venda. Na semana, a moeda norte-americana caiu 1,92%. Após uma sinalização mais suave (dovish) do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) na quarta-feira, indicando um possível corte na taxa de juros do país, o mercado começa a ver um outro patamar para o dólar comercial aqui no Brasil.

“A política do Fed essa semana pesou sobre o dólar, pois um corte na taxa de juros dos Estados Unidos enfraquece o dólar”, disse Flavio Serrano, economista-chefe do Haitong. Serrano lembrou ainda que com esse cenário atual, o dólar sai do patamar de R$ 3,85 a R$ 3,90, para novo patamar de R$ 3,80 a R$ 3,85. “É possível ver um patamar mais baixo para o dólar”, disse.

Mas o especialista afirmou também que o cenário mundial pode mudar de uma hora para a outra, com as questões de conflito entre os Estados Unidos e o Irã, além da sinalização do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), de um possível corte na Selic (taxa básica de juros) ainda este ano. Além disso, existe a questão da reforma da Previdência.

“Pelo cenário atual dá para dizer que o dólar pode perder um pouco de força, mas tudo pode mudar com tantos eventos acontecendo ao mesmo tempo”, explicou o economista-chefe do Haitong.

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