Bolsa sobe e dólar cai com trégua na guerra comercial entre Estados Unidos e China

Por Danielle Fonseca e Flavya Pereira

São Paulo – O Ibovespa fechou em alta de 1,35%, aos 103.299,47 pontos, devolvendo parte das perdas de 2% de ontem, diante de notícias que China e Estados Unidos voltaram a conversar e que o governo norte-americano adiou a aplicação de tarifas sobre produtos chineses. O volume total negociado foi de R$ 19,3 bilhões.

“O adiamento de tarifas acabou aliviando bastante o movimento de baixa visto no início da manhã, puxou as bolsas norte-americanas e os mercados emergentes foram junto”, disse o analista da Toro Investimentos, Rafael Winalda. Para o analista, a guerra comercial ainda pode trazer volatilidade, mas a decisão dos Estados Unidos parece querer não atrapalhar a importação de produtos para o fim do ano e indica que haverá mais tempo para negociações.

Os negociadores das duas potências conversaram hoje por telefone e o governo dos Estados Unidos decidiu diminuir a lista de produtos da China que estarão sujeitos a uma tarifa de importação de 10% a partir de 1 de setembro. Para parte deles, não haverá mais a cobrança, enquanto para outro segmento a vigência da tarifa foi adiada para 15 de dezembro. No início deste mês, os Estados Unidos afirmaram que aplicariam novas tarifas sobre produtos chineses, o que havia elevado a aversão ao risco nos mercados, deixando um acordo mais distante.

Entre as ações, as ligadas a commodities se destacaram por se beneficiar da retomada de conversas entre os dois países, caso dos papéis da Vale (VALE3 3,29%), de siderúrgicas como Gerdau (GGBR4 2,62%), e da Suzano (SUZB3 5,87%), que registrou a maior alta do Ibovespa. Também entre as maiores altas ficaram as ações do Magazine Luiza (MGLU3 3,93%), que refletiram um balanço trimestral positivo, e da Ecorodovias (ECOR3 4,04%).

Na contramão, entre as maiores quedas ficaram as ações da Qualicorp (QUAL3 -3,16%), que seguem corrigindo a alta de mais de 30% das ações na última sexta-feira, da JBS (JBSS3 -3,55%), que devolveram ganhos de ontem, e da MRV (MRVE3 -3,84%).

Amanhã, investidores devem ficar atentos a dados da China, como da produção industrial e vendas no varejo, que podem dar sinais sobre impactos da guerra comercial, que também seguirá no radar. Ainda entre os indicadores, será divulgado o PIB da Alemanha e da Eurozona. Já na cena doméstica, o analista da Toro destaca que investidores devem acompanhar a possível votação de medidas provisórias, como a “MP da Liberdade Econômica” e o andamento da reforma da Previdência no Senado, que não tem trazido surpresas até o momento.

O dólar comercial fechou em queda de 0,37% no mercado à vista, cotado a R$ 3,9700 para venda, reagindo às conversas entre representantes do governo norte-americanos e do governo chinês atenuando as tensões comerciais entre os dois países com o adiamento da cobrança de 10% de tarifa sobre produtos do país asiático a partir do mês que vem.

“O dólar registrou mínimas consecutivas, chegando a furar o piso de R$ 3,95, com o anúncio de que os norte-americanos vão remover alguns produtos da lista de tarifas ao país asiático e com a informação do governo chinês de que as conversas continuarão nas próximas duas semanas”, comenta o operador de câmbio da Correparti, Guilherme Esquelbak.

A equipe econômica do banco Fator chama a atenção para o recuo dos Estados Unidos na guerra comercial sob alegação de que o adiamento da tarifação até meados de dezembro é “para que os preços dos eletrônicos não atrapalhem o Natal”. Para os analistas, mesmo que os mercados subam e desçam, a indefinição é “o pior dos mundos”.

Amanhã, com a agenda de indicadores mais pesada no exterior, os dados indicadores da zona do euro e da Alemanha, como a leitura preliminar do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, podem mexer nos ativos europeus e refletir no dólar.

Os mercados podem repercutir os números da indústria e de varejo da China em julho na abertura dos negócios. “Se não tiver mais nenhuma novidade em relação à Argentina, que já está precificada, a tendência é que nesta semana o dólar busque os R$ 3,90”, diz o diretor de câmbio do Ourominas, Mauriciano Cavalcante.

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