Bolsa sobe e dólar cai com possível injeção de estímulos do BCE na zona do euro

Por Danielle Fonseca e Eduardo Puccioni

São Paulo – O bom humor externo diante de expectativas de afrouxamento de políticas monetárias de bancos centrais mundiais ajudou o Ibovespa a encerrar em alta de 1,82%, aos 99.404,39 pontos, no maior patamar de fechamento desde o dia 19 de março, quando encerrou em 99.588,37 pontos e atingiu a máxima histórica de 100.438,87 pontos. As ações da B3 e do setor de siderurgia e mineração foram as que mais pesaram para a alta do índice. O volume total negociado foi de R$ 16,03 bilhões.

“O mercado está reagindo de forma bastante positiva à fala do BCE sobre a continuidade de estímulos e antecipando sinalizações mais firmes de cortes de juros no Fed e no Copom amanhã”, disse o analista de investimentos do Banco Daycoval, Enrico Cozzolino.

Hoje o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, disse que autoridade monetária está preparada para tomar mais medidas de estímulo, até cortes de juros, se necessário, o que alimentou expectativas já elevadas em relação ao Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e também em relação ao Comitê de Política Monetária (Copom), que divulgam suas decisões nesta quarta-feira.

Além do movimento dos bancos centrais mundiais, as declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, colaboraram para o tom positivo dos mercados. Trump afirmou ter tido uma conversa pelo telefone com o presidente chinês, Xi Jinping, e confirmou seu encontro durante reunião do G-20, que acontece no fim deste mês, no Japão. O anúncio é considerado um passo importante para a retomada das negociações comerciais entre os dois países.

Já no Brasil, o mercado monitorou a comissão especial da Câmara, que voltou a discutir o relatório da reforma da Previdência, além de acompanhar a possibilidade de pontos do texto serem alterados e voltarem a serem incluídos no parecer, como o sistema de capitalização. Ainda há expectativas de que algumas partes do texto, consideradas negativas, como o aumento da alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) para bancos e para a B3 seja revista.

Essa expectativa refletiu nas ações da B3 (B3SA3 7,35%), que dispararam e registraram a maior alta do Ibovespa. Em seguida, aparecem os papéis da B2W (BTOW3 5,73%) e da Braskem (BRKM5 4,71%), que foi excluída da recuperação judicial da Odebrecht, sua controladora. As ações da Vale (VALE3 3,59%) e de siderúrgicas, como da Gerdau Metalúrgica (GOAU4 4,48%), também têm fortes altas em função do avanço dos preços do minério de ferro e expectativas positivas em relação à China.

Na contramão, as maiores perdas são das ações do setor de frigoríficos, como JBS (JBSS3 -1,74%), Marfrig (MRFG3 -1,64%) e BRF (BRFS3 -1,39%). Analistas citam troca de posições entre setores e realização de lucros para a queda dos papéis, além disso, os papéis do setor caíram ontem no mercado norte-americano diante de temores mais elevações de preços de grãos em função de chuvas nos Estados Unidos.

Amanhã, o destaque ficará para a reunião do Fed às 15h, com comentários do presidente do Fed, Jerome Powell, às 15h30. À noite será a vez do Copom divulgar a sua decisão. Para o analista do Daycoval, os mercados podem reagir positivamente se houver sinalizações fortes de corte de juros, já que o movimento já vem sendo precificado.

“Quem sabe voltamos a bater os 100 mil pontos, é um palpite, mas é possível se vier uma sinalização forte, na qual o mercado puder realmente materializar um corte, ou se vier o corte de juros pelo Fed”, disse. No entanto, Cozzolino destaca que o mercado já vem antecipando o movimento e que o Copom deve refletir apenas na sexta-feira, já que quinta-feira é feriado no Brasil, o que pode atrair uma correção.

O dólar comercial encerrou a sessão de hoje com queda de 1,02% sendo negociado a R$ 3,8610 para venda. A queda da moeda norte-americana foi vista ante diversos países emergentes após o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, indicar a volta de estímulos econômico para a zona do euro.

“Além do cenário externo, tivemos a ação do Banco Central aqui no Brasil tirando a pressão do mercado com leilão de linha”, disse Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora de Câmbio. O especialista disse ainda que o ambiente externo está tranquilo e que os investidores aguardam o andamento da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados.

De acordo com um operador de um grande banco, os investidores estão mais dispostos ao mercado de risco após as declarações de Draghi. “Esse negócio de cortar juros ou retomar a compra de ativos na zona do euro trouxe um ânimo a mais aos investidores, beneficiando diretamente os países emergentes”, afirmou.

Para amanhã, Reginaldo afirma que a tendência do dólar é de queda no curto prazo, mas que no médio e longo prazo é preciso atenção especial. “Se a reforma da Previdência não andar, no médio prazo podemos ter uma mudança de tendência na direção do dólar”, afirmou o gerente da Treviso.

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