Bolsa sobe e dólar cai com otimismo pós-primeiro turno das eleições

08/10/2018 18:28:56

Por: Eduardo Puccioni e Flavya Pereira / Agência CMA

São Paulo – Após registrar uma alta superior a 4% na sessão de hoje, analistas ainda veem espaço para o Ibovespa, principal índice da B3, seguir em alta amanhã, mesmo sem novidades dentro do noticiário eleitoral. A Vantagem expressiva de Jair Bolsonaro (PSL) sobre Fernando Haddad (PT) no primeiro turno mentém o otimismo dos investidores.

“Amanhã ainda temos espaço para subir. Teremos um mercado de volatilidade positiva. Os investidores ainda estão precificando uma vitória do Bolsonaro”, afirmou Felipe Bevilacqua, gestor da Levante Investimentos. Hoje o Ibovespa encerou com alta de 4,57% aos 86.083,91 pontos. O volume financeiro do mercado foi de aproximadamente R$ 28,9 bilhões.

De acordo com Vitor Suzaki, analista da Lerosa Investimentos, o investidor está muito confiante com o resultado do primeiro turno das eleições, não só pelo expressivo percentual de votação que Bolsonaro teve diante de Haddad, mas também pelas novas pessoas que entraram no Congresso nessa eleição.

“Além dessa renovação no Congresso, o investidor segue empolgado com a falta de palanque para Haddad nos principais colégios eleitoras como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Haddad precisa capturar muitos votos para vencer Bolsonaro no segundo turno”, afirmou o especialista.

O dólar comercial fechou em queda de 2,35%, cotado a R$ 3,7670 para venda, reagindo aos números do primeiro turno das eleições em que o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, ampliou a vantagem (46,03%) demonstrada nas pesquisas de intenção de votos sobre o candidato do PT, Fernando Haddad (29,27%). Agora, os dois disputam o segundo turno.

O operador da Correparti, Ricardo Gomes, avalia que os números trouxeram uma “forte dose de contentamento aos investidores, com uma verdadeira corrida em busca dos ativos de risco”, diz. A Capital Economics ressalta que a plataforma econômica de Bolsonaro é “muito favorável” ao mercado, por incluir a reforma da Previdência, sugerir total independência do Banco Central, privatizações e redução do tamanho do Estado.

“A plataforma do PT, em contrapartida, prometeu suspender a privatização, reverter a reforma trabalhista e mudar o mandato do Banco Central para incluir o emprego direcionado”, comentam em relatório. Porém, a equipe da CE diz que não está claro se o apoio que o candidato do PSL está construindo se estende a medidas dolorosas para cortar gastos.

“E algumas das mudanças mais difíceis, como a Previdência, exigirão uma coalizão altamente instável de pelo menos 11 partidos para mudar a constituição. À medida que esses obstáculos se tornam mais evidentes, o impulso de Bolsonaro pode começar a falhar”, ressaltam.

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