Bolsa sobe e dólar cai com otimismo por aprovação da reforma da Previdência

Por Danielle Fonseca e Eduardo Puccioni

São Paulo – O Ibovespa encerrou em alta pelo quarto pregão consecutivo, com ganhos de 0,42%, aos 104.530,22 pontos, refletindo a expectativa de que a reforma da Previdência possa ser votada nesta semana na Câmara dos Deputados. Porém, as altas recentes e o cenário externo de maior cautela, em meio a dúvidas sobre quais serão os próximos passos do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), limitaram ganhos do índice.

Com a valorização de hoje, o Ibovespa renovou o seu recorde histórico de fechamento e o intradiário, atingindo a máxima de 104.679,30 pontos. O volume total negociado foi de R$ 13,2 bilhões.

“O mercado segue na expectativa de aprovar a reforma. Estamos na fase de contagem de votos e acredito que a reforma pode ser votada até em dois turnos nesta semana na Câmara”, disse o gerente da mesa de operações da H.Commcor, Ari Santos. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse hoje que pretende colocar a reforma da Previdência em votação no final da tarde ou no início da noite de amanhã e há a possibilidade de se eliminar etapas da tramitação para já votar o projeto já nos dois turnos antes do recesso parlamentar, que começa dia 18 de julho.

O analista da Necton Corretora, Glauco Legat, reforça que o cenário base do mercado é de aprovação da reforma e que a votação, pelo menos em primeiro turno na Câmara antes do recesso, cristalizaria esse cenário, evitando ainda riscos de grandes mudanças no texto. No entanto, acredita que parte da aprovação já está precificada e que novos saltos significativos do índice viriam com outras medidas pós-reforma.

“O pessoal já está começando a olhar como vai ser depois da reforma, o governo pode anunciar medidas de curto prazo e incentivo para a economia, além de promover a venda de estatais, por exemplo”, disse.

No cenário externo, por sua vez, investidores estão mais cautelosos e com apostas menos agressivas em cortes de juros nos Estados Unidos depois de números mais fortes do que o esperado do mercado de trabalho do país (payroll), na última sexta-feira. O presidente da autoridade monetária, Jerome Powell, também deverá discursar nesta semana e pode dar mais detalhes do que fará com a taxa de juros do país, o que colaborou para que as bolsas norte-americanas fechassem em baixa.

Entre as maiores altas do Ibovespa, ficaram as ações da Via Varejo (VVAR3 5,83%), que têm subido na esteira de mudanças da nova gestão, com a família Klein de volta ao comando. Também tiveram fortes altas as ações da Estácio (ESTC3 5,39%) e da Kroton (KROT3 5,21%). Na contramão, as maiores baixas ficaram com as ações do setor de papel e celulose, como Klabin (KLBN11 -1,43%), com o IRB Brasil (IRBR3 -2,37%) e com a Natura (NATU3 -1,74%).

Amanhã, os mercados brasileiros ficarão fechados em função de feriado no Estado de São Paulo, com o Ibovespa podendo abrir na quarta-feira refletindo o cenário externo, já haverá discurso do Powell às 9h45 da terça-feira, e a reforma, com possível início da votação.

O dólar comercial encerrou a sessão de hoje em queda de 0,31%, sendo negociado a R$ 3,8090 para venda. O dia, fraco devido ao feriado amanhã em São Paulo, foi refletido pelo otimismo com a possível aprovação da reforma da Previdência no plenário da Câmara dos Deputados amanhã.

“Hoje foi aquele famoso ‘dia-ponte’. É o dia-ponte de feriado em que as negociações ficam baixas. Dias assim não trazem grandes negócios. Mas no resumo, o povo está empolgado com a aprovação e estão achando que existe um acordo entre a Câmara e o Senado para que tudo seja aprovado sem grandes alterações. Se tiver alteração, será positiva com a inclusão dos Estados e municípios”, afirmou Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora de Câmbio.

Reginaldo lembra ainda para o cuidado caso a aprovação não saia tão logo. “Agora estamos num céu de brigadeiro, por isso o dólar está a R$ 3,80, sem conseguir ficar abaixo disso. Mas se algo começar a dar errado ou a aprovação não sair, esse dólar pode subir para os R$ 3,90. Se aprovada a reforma da Previdência, teremos até o final do ano um dólar perto de R$ 3,50. Isso incluindo também a reforma tributária”, acrescentou Galhardo.

A reforma da Previdência que será discutida esta semana no plenário da Câmara dos Deputados – e sua potencial aprovação – é mérito dos parlamentares, e não do governo, afirmou o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), em um podcast semanal. “A construção desse texto a gente deve à capacidade de diálogo, ao equilíbrio do parlamento brasileiro. A construção do texto foi uma construção parlamentar. A construção da vitória, se ela acontecer, será construção do parlamento, não será uma construção do governo”, disse Maia.

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