Bolsa sobe e dólar cai com otimismo dos investidores com votação da reforma da Previdência

Por Danielle Fonseca e Flavya Pereira

São Paulo – O Ibovespa fechou com ganhos de 1,42%, aos 102.043,11 pontos, sustentado pelo cenário externo positivo e por uma aceleração a alta dos papéis da Ambev, apesar de permanecerem incertezas sobre quando a reforma da Previdência poderá ser votada na comissão especial da Câmara dos Deputados. Com a alta de hoje, o índice voltou a se aproximar do recorde histórico de fechamento, de 102.062,33 pontos, atingido no dia 24 de junho. O volume total negociado foi de R$ 16,5 bilhões.

Para o analista da Necton Corretora, Glauco Legat, o ambiente global favorável, em meio a expectativa de que bancos centrais mantenham políticas econômicas mais expansionistas, pesou para a alta de hoje. As bolsas norte-americanas fecharam em alta e renovando recordes, em de pregão reduzido nos Estados Unidos em função do feriado de amanhã. Influenciaram o humor dados da economia norte-americana e previsões de que Christine Lagarde, que deverá substituir Mario Draghi à frente do Banco Central Europeu (BCE), é favorável à manutenção de políticas estimulativas (dovish).

Além disso, o analista avalia que o mercado pode não estar ponderando os riscos de revisões do voto do relator da reforma na comissão, o que pode atrasar a votação para apenas depois do recesso parlamentar, embora destaque que mais importante do que o cronograma é a manutenção de uma economia robusta no texto.

A expectativa era que a sessão da comissão tivesse começado às 15h, já que havia quórum para isso, no entanto, o relator atrasou sob afirmações de que estaria fazendo ajustes no texto e a sessão ainda não foi iniciada. “A pauta da Previdência tem contornos de incerteza, nossa visão é mais realista, de que seria extremamente positivo uma votação antes do recesso parlamentar, mas não é nosso cenário base”, disse Legat, lembrando que parte do mercado tem mantido um tom mais otimista sobre o prazo de aprovação da reforma.

Outro fator que ajudou o Ibovespa a manter forte alta na parte da tarde foi a aceleração dos ganhos dos papéis Ambev (ABEV3 4,08%), que têm grande peso no índice. A Anheuser-Busch InBev, da qual a Ambev faz parte, pretende levantar até US$ 9,8 bilhões com a listagem de uma fatia minoritária de suas operações na Ásia na bolsa de Hong Kong, o que pode reduzir o seu endividamento e refletiu positivamente também para a companhia brasileira. O dia ainda foi positivo para as ações de bancos, como do Itaú Unibanco (ITUB4 1,72%).

Já as maiores altas do Ibovespa ficaram com as ações da Gol (GOLL4 9,59%), que teve sua recomendação elevada para compra pelo Goldman Sachs, e com as ações da Via Varejo (VVAR3 7,34%), que subiram em meio a notícias de que a companhia está mudando sua diretoria para fazer frente à concorrência do Magazine Luiza. Na contramão, as maiores quedas ficaram com MRV (MRVE3 -1,55%) e Ecorodovias (ECOR3 -0,86%).

Amanhã, o foco deve seguir na Previdência e na possibilidade de votação na comissão especial principalmente diante de feriado nos Estados Unidos, que manterá o mercado do país fechado e pode trazer redução de liquidez. “O Ibovespa está numa toada positiva há alguns dias e talvez algum ajuste de curto prazo seja natural, apesar do otimismo”, disse o analista da Necton.

O dólar comercial fechou em queda de 0,72% no mercado à vista, cotado a R$ 3,8270 para venda – rompendo três pregões seguidos de alta – influenciados pelo exterior, com apostas de que o banco central dos Estados Unidos deverá promover o corte da taxa de juros no curto prazo após indicadores da economia norte-americana. Aqui, a reforma da Previdência ancorou o movimento dos mercados na segunda parte dos negócios.

Para o diretor da Correparti, Ricardo Gomes, as expectativas positivas em torno do andamento da reforma, sustentaram o otimismo local. “O plano do presidente da Comissão [deputado Marcelo Ramos] é respeitar o cronograma estabelecido pelo Rodrigo Maia [presidente da Câmara] diminuindo os temores de que a apreciação da proposta pelo plenário fique para depois do recesso parlamentar”, comenta. O recesso no Congresso começa dia 18.

No exterior, a leitura de que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) deverá cortar a taxa de juros no curto prazo influenciado pelos números de emprego no setor privado nos Estados Unidos abaixo do esperado pelo mercado, com a criação de 102 mil vagas em junho, ante expectativa de criar ao redor de 140 mil postos de trabalho, reforçou para um dia mais positivo no exterior e contaminando os negócios aqui.

Antes de firmar queda, porém, a moeda estrangeira teve mais uma sessão de forte volatilidade ao longo dos negócios no mercado doméstico. “Enquanto a reforma da Previdência não andar no Congresso, a volatilidade continuará”, diz a economista da Capital Markets, Camila Abdelmalack.

Camila acrescenta que não há “nada de atípico” na tramitação da Previdência e vê exagero na precificação dos ativos. “Não tem nada de errado com o andamento da reforma na Câmara. A questão foi como o mercado ancorou as apostas, à espera de votação rápida e depois, de corte de juros no curto prazo”, avalia.

Lá fora, o mercado norte-americano fechou mais cedo – às 14h de Brasília – o que reduziu a liquidez na segunda parte dos negócios. Cenário que continuará amanhã com o feriado nos Estados Unidos. “O mercado ficará ancorado na Previdência, ou reagindo à votação, caso tenha hoje, ou influenciado pelo temor de atraso no calendário de votação, se adiada”, diz o analista da Toro, Thiago Tavares.

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