Bolsa sobe e dólar cai com otimismo após articulação de Bolsonaro com líderes de partidos

São Paulo – O Ibovespa encerrou em alta de 1,92%, aos 96.313,06 pontos, corrigindo a queda de quase 1% de ontem, com investidores esperançosos sobre a articulação política do governo para aprovar a reforma da Previdência, já que o presidente Jair Bolsonaro iniciou conversas com líderes de partidos nesta quinta-feira. O volume total negociado foi de R$ 13,9 bilhões.

Após a ida do ministro da Economia, Paulo Guedes, à Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC), ter terminado em confusão ontem e renovado temores sobre a falta de apoio político do governo, o mercado seguiu atento às iniciativas de articulação e novas declarações sobre a reforma. Apesar do tumulto com deputado da oposição, analistas também viram o dia de ontem como um aprendizado para o governo, o que ajudou na correção de hoje.

“Ocorreram provocações de membros dos partidos de oposição ao ministro, mas que já eram uma postura esperada por todos. A lição que fica é que os membros do governo devem ampliar suas articulações naquela casa”, disse o analista da Mirae Asset Corretora, Pedro Galdi.

Com a lição supostamente aprendida, surgiram rumores de que o DEM pode ajudar na integração da base do governo e o presidente do PRB, o deputado Marcos Pereira (SP), também teria dito, após encontro com o presidente Jair Bolsonaro, que o governo irá criar dois conselhos políticos para dialogar com partidos da base. Em seu perfil no Twitter, o presidente não confirmou a criação de conselhos, mas disse que as conversas com líderes ocorreram “em alto nível”.

Já no cenário externo, o mercado norte-americano fechou misto e com variações modestas, em um dia de espera por novidades das negociações comerciais entre China e os Estados, já que o presidente norte-americano, Donald Trump, deve se encontrar com o vice-premiê chinês, Liu He Liu, na Casa Branca. Segundo Trump, será fechado “um grande acordo comercial com a China”.

Amanhã, além das conversas de Bolsonaro com líderes de partido continuarem no foco, investidores devem aguardar os dados do mercado de trabalho norte-americano, o chamado Payroll, o que pode trazer cautela pela manhã. “Amanhã o dia pode ser mais agitado, depois de o volume de negócios ter sido um pouco mais fraco hoje”, disse o economista da Toro Investimentos, Pedro Nieman.

O dólar comercial apresentou forte volatilidade ao longo da sessão, mas encerrou em queda de 0,51% sendo negociado a R$ 3,8590 para venda com investidores analisando como positiva a articulação do presidente do Brasil Jair Bolsonaro com líderes dos partidos na tarde de hoje.

“Mercado ainda está muito atento ao cenário político. A reunião de hoje do Bolsonaro com líderes foi vista como positivo pelo mercado e devolveu um pouco da pressão de ontem após a reunião da CCJC [Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania] com Paulo Guedes [ministro da Economia”, explicou Silvio Campos, economista da Tendências Consultoria.

Campos destaca ainda que o dólar seguirá volátil nos próximos dias aguardando definições sobre a reforma da Previdência. “Lá fora o dólar tem encontrado estabilidade e amanhã os investidores estarão de olho nos dados do payroll [sobre o mercado de trabalho norte-americano] e há uma espera sobre o acordo entre os Estados Unidos e a China, que deve sair algo amanhã”, disse.

O vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, está em Washington para continuar as conversas sobre comércio com os norte-americanos, e a expectativa é de que eles cheguem em breve a um acordo para que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder da China, Xi Jinping, assinem em uma cúpula ainda este mês. Mais cedo, Trump – que tem encontro marcado com Liu – disse que está perto de firmar um acordo com Pequim e que as negociações avançam bem.

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