Bolsa sobe e dólar cai com melhora no cenário externo e otimismo com Previdência

Por Danielle Fonseca e Flavya Pereira

São Paulo – O Ibovespa encerrou em alta pelo terceiro pregão consecutivo, com ganhos de 1,29%, aos 104.115,23 pontos, refletindo uma recuperação dos principais mercados acionários no exterior depois de dados melhores da balança comercial chinesa e de uma desvalorização menor do que o esperado do iuane, o que ajudou a reduzir temores em relação à guerra comercial entre China e Estados Unidos. Além da melhora externa, a cena doméstica também voltou a trazer notícias positivas, com a reforma da Previdência seguindo para o Senado sem alterações. O volume total negociado hoje foi de R$ 21,5 bilhões.

“O início da semana foi muito duro, mas o mercado acabou engolindo toda essa queda com algumas notícias boas começando a sair no exterior e a segunda votação da reforma da Previdência saindo bem dentro do ‘script'”, disse o economista-chefe do banco digital Modalmais, Alvaro Bandeira. Entre as notícias boas, Bandeira cita a redução de taxas de juros por bancos centrais mundiais, além da moeda chinesa não ter voltando a se desvalorizar com tanta força, o que assustou investidores na última segunda-feira.

A China permitiu hoje uma alta de 0,06% do dólar em relação à moeda local, para 7,0039 iuanes, acima do que esperava o mercado. Além disso, dados da balança comercial do país também vieram melhores que o previsto. Para o estrategista-chefe da Levante Investimentos, Rafael Bevilcqua, o investidor se apega a todos os dados positivos para renovar o fôlego depois da escalada da tensão comercial.

Na cena doméstica, investidores também aprovaram a votação em segundo turno na Câmara dos Deputados da proposta de reforma da Previdência (PEC 6/19), com todos os destaques apresentados sendo rejeitados. Com a conclusão da tramitação na Câmara, a reforma foi para o Senado, com o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ) entregando o texto nas mãos do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP).

“A reforma da Previdência foi enfim aprovada sem nenhum destaque, ou seja, com valor total estimado de R$ 933 bilhões, acima da expectativa do mercado”, disse o sócio da Criteria Investimentos, Vitor Miziara, se referindo à economia que será trazida pela reforma em 10 anos. Para ele, também ajuda no clima de otimismo a fala do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, de que o Senado irá construir um bom texto e que pode tratar de temas ainda não tratados, com a inclusão de Estados e municípios.

Entre as ações, os menores temores em relação à guerra comercial ajudam na recuperação de papéis ligados a commodities, caso da Vale (VALE3 1,54%), da Usiminas (USIM5 4,01%) e da Gerdau Metalúrgica (GOAU4,92%), com as siderúrgicas registrando a maior alta do Ibovespa. O dia também foi positivo para as ações da Petrobras (PETR4 2,92%), que acompanhou a alta dos preços do petróleo.

Ao lado das siderúrgicas, entre as maiores altas do Ibovespa ficaram as ações da B2W (BTOW3 5,83) e da BRF (BRFS3 4,94%). Na contramão, as maiores quedas foram da Cielo (CIEL3 -3,03%) e da Raia Drogasil (RADL3 -2,80%).

Amanhã, Bandeira acredita que o Ibovespa pode manter a tendência de alta, embora destaque que a guerra comercial ainda possa trazer volatilidade no curto prazo. Entre os indicadores, destaque para índices de preços na China e nos Estados Unidos.

O dólar comercial fechou em queda de 1,25% no mercado à vista, cotado a R$ 3,9270 para venda, interrompendo uma sequência de oito altas seguidas em sessão mais positiva no exterior e com o encaminhamento do texto-base da reforma da Previdência para o Senado após o fim da tramitação na Câmara dos Deputados.

Alguns fatores aliviaram os mercados, destaca o operador de câmbio da Correparti, Guilherme Esquelbak, como a alta inesperada nas exportações da China (+3,3% ante projeção de -2,0%), além da sequência de afrouxamento monetário de alguns bancos centrais ao redor do mundo. Para ele, os sinais de uma postura mais favorável em relação a possíveis cortes nas taxas de juros na visão do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de Chicago, Charles Evans, corroboram para o cenário positivo dos ativos hoje.

No mercado doméstico, o pano de fundo foi a reforma da Previdência, que chegou ao Senado após ter os trabalhos concluídos na Câmara ontem. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, destacou que a casa seguirá o regimento da tramitação, que terá tempo mínimo de 45 dias.

“Todos os esses fatores levaram o investidor ao apetite ao risco e aqui, não foi diferente. A reforma acabou mantendo esse cenário de busca por risco, além de um viés de correção após a forte valorização da moeda em poucos dias”, comenta o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa.

Amanhã, na agenda de indicadores, o destaque fica para dados de inflação da China. Para Rosa, os números não devem fazer preço, porém, se os Estados Unidos e a China tiverem uma postura contida de hoje para amanhã, sem declarações e decisões, o dólar tem espaço para mais quedas após sucessivas altas nas duas últimas semanas.

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