Bolsa sobe e dólar cai com investidores mais otimistas com a reforma da Previdência

Por Danielle Fonseca e Flavya Pereira

São Paulo – O Ibovespa fechou em alta de 0,37%, aos 97.380,28 pontos, com investidores ainda otimistas com o andamento da reforma da Previdência em meio a declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, e em meio a uma melhora do cenário externo. O índice, porém, subiu menos do que outros mercados acionários no exterior e chegou a cair durante o dia pressionado pela queda de ações da Braskem, que recuaram quase 17%. O volume total negociado foi de R$ 15,7 bilhões.

Segundo o analista da Toro Investimentos, Lucas Carvalho, o tom dos comentários de Guedes, que participa de audiência em comissão da Câmara dos Deputados nesta tarde, é positivo e ajuda manter o bom humor do mercado local. O ministro voltou a defender a reforma da Previdência, para depois serem tomadas outras medidas. A aprovação de medidas no Congresso, como a da medida provisória (MP) 871 ontem, que combate fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), também tem deixado investidores esperançosos de que o andamento da reforma não tenha grandes problemas.

Já no exterior, as bolsas norte-americanas subiram mais de 2% e tiveram um dia de recuperação após comentários do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell. Para o analista da Terra Investimentos, Régis Chinchila, o presidente da autoridade monetária “sinalizou que está aberto para corte de juros se necessário” diante das tensões comerciais, o que arrefeceu temores em relação a uma desaceleração econômica.

No entanto, as ações da Braskem (BRKM5 -16,94%) fizeram peso hoje e impediram que o índice subisse mais, já que ficaram entre as mais negociadas e derretem após a holandesa LyondellBasell não entrar em acordo com a Odebrecht para comprar a sua fatia na companhia. A compra não teria sido acertada devido aos maiores riscos de a Odebrecht entrar em recuperação judicial, que poderia ser a maior do Brasil, já a companhia possui dívidas no valor de cerca de R$ 80 bilhões com seis bancos.

Na contramão, as maiores altas do Ibovespa ficaram com as ações da Sabesp (SBSP3 10,96%), que aceleraram ganhos depois que a Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI) do Senado Federal aprovou o relatório do projeto de lei 3.261, que tem como objetivo atualizar o Marco Legal do Saneamento Básico. O texto segue em regime de urgência e já pode ser pautado em Plenário.

Também ficaram entre os maiores ganhos as ações da JBS (JBSS3 4,48%), que se recuperaram das fortes perdas de ontem depois de que exportações de carne bovina para a China foram suspensas, e da Energias do Brasil (ENBR3 4,23%), que subiram em meio a rumores de que a China Three Gorges (CTG) avalia acordo para controlar a empresa.

Amanhã, investidores ficarão atentos principalmente ao julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a necessidade de vendas de ativos de empresas estatais exigirem autorização legislativa específica. O mercado também segue ansioso pela possibilidade de apresentação do texto do relator da reforma da Previdência na comissão especial nesta semana.

O dólar comercial fechou em queda de 0,82% no mercado à vista, cotado a R$ 3,8580 para venda – no menor valor de fechamento desde 15 de abril (R$ 3,8680) – com o otimismo prevalecendo entre os investidores em meio a sinais de avanços na tramitação da reforma da Previdência, com as votações de medidas provisórias (MPs) nos últimos dias.

Hoje, o mercado repercutiu a votação da MP 871 ontem no Senado. O texto, que contém medidas de combate à fraude no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), propõe uma economia anual de R$ 10 bilhões aos cofres públicos e segue para sanção presidencial.

“A queda do dólar acompanhou a contínua sensação de melhora na articulação do governo com o Congresso, na intenção de aprovar a reforma da Previdência, ajudou também a sustentar a queda da moeda norte-americana desde o início dos negócios”, comenta o diretor de Correparti, Jefferson Rugik.

A declaração do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), Jerome Powell, de que há espaço para corte de juros elevou o bom humor dos mercados. Porém, Powell reiterou que os impactos da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China é monitorada.

Segundo o analista da Toro Investimentos, Lucas Carvalho, a medida do Fed pode levar o Banco Central (BC) brasileiro a cortar a taxa básica de juros (Selic). “A nossa economia precisa de estímulos. Mas não acredito que se cortar os juros em 0,25 ponto percentual resolverá o problema de uma economia, de uma atividade fraca no país”, ressalta.

Amanhã, na agenda de indicadores, o destaque fica para os dados de criação de emprego no setor privado em maio, nos Estados Unidos, publicados pela ADP. Os números são uma prévia do relatório de empregos do país, o payroll, que será divulgado na sexta-feira.

“Se os números da ADP vierem abaixo da projeção [173 mil vagas] mostrará que a economia norte-americana não está tão aquecida assim, reforçando a ideia de queda de juros por lá”, diz Carvalho. Ainda nos Estados Unidos, às 15 horas (horário de Brasília), sairá o Livro Bege do Fed, que “não deve trazer novidades”, acrescenta o analista.

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