Bolsa sobe e dólar cai com investidores aguardando núncio de estímulos econômicos

Por Danielle Fonseca e Flavya Pereira

São Paulo – O Ibovespa fechou em alta de 0,48%, aos 103.948,84 pontos, amparado por ganhos de ações de bancos e de frigoríficos em um dia morno para os mercados acionários, com investidores aguardando o início da temporada de balanços e medidas de estímulos econômicos que podem ser divulgadas ao longo da semana. O volume total negociado foi de R$ 12,4 bilhões.

O sócio da RJI Gestão e Investimentos, Rafael Weber, destacou o movimento positivo de bancos hoje, na expectativa de resultados trimestrais que começam a ser divulgados a partir de amanhã. “Estão saindo algumas estimativas de resultados e há uma visão mais otimista para os números do setor”, disse. Ele destaca possíveis crescimentos de dois dígitos para os resultados do Bradesco (BBDC4 1,38%), que deve divulgar o balanço nesta quinta-feira (25), e para o Itaú Unibanco (ITUB4 1,70%), que apresentará seus dados trimestrais na próxima segunda-feira (29).

Além dos bancos, as ações da JBS (JBSS3 3,97%) e da BRF (BRFS3 3,29%) se destacaram hoje e ficaram entre as maiores altas do Ibovespa. A BRF teve a sua recomendação elevada pelo Itaú BBA para compra e disse que vê a peste suína na China como uma oportunidade para elevar a sua rentabilidade, já a JBS informou que concluiu a amortização de parte das dívidas ao realizar o pagamento de R$ 750,7 milhões pelo acordo de normalização que possui com instituições financeiras. Ainda ficaram entre as maiores altas do Ibovespa as ações do IRB Brasil (IRBR3 4,23%) após oferta pública de ações que marcou a saída o Banco do Brasil da companhia, além das ações do Magazine Luiza (MGLU3 3,91%).

Na contramão, entre as maiores baixas do índice ficaram os papéis da Ultrapar (UGPA3 -4,16%), da MRV (MRVE3 -2,895) e da BR Distribuidora (BRDT3 -2,865). As ações de siderúrgicas e mineradoras, como Usiminas (USIM5 -2,24%) também tiveram fortes baixas refletindo os preços do minério de ferro. As ações da Vale (VALE3 -0,51%) foram outras que recuaram refletindo as cotações da commodity, além da queda maior do que o esperado da produção de minério de ferro no segundo trimestre, em função de paralisações de minas como a Brucutu, após o rompimento da barragem de Brumadinho (MG).

Na cena doméstica, a agenda foi esvaziada hoje, mas investidores aguardam para quarta-feira o anúncio da liberação de saques do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), o que pode dar um impulso para a economia no curto prazo. O analista da Toro Investimentos, Daniel Herrera, destaca, porém, que é preciso saber quais serão as regras, como o montante que será liberado e sua periodicidade, para avaliar melhor se haverá impacto no consumo.

No cenário externo, por sua vez, o foco segue nas sinalizações sobre cortes de juros nos Estados Unidos e também por outros bancos centrais, com expectativa de que o Banco Central Europeu (BCE) possa anunciar estímulos na reunião desta quinta-feira.

Na agenda de amanhã, o destaque é o IPCA-15, que pode reforçar a expectativa de queda da taxa básica de juros (Selic). Para o analista da Toro, a tendência é o Ibovespa “ficar andando mais de lado” diante do recesso parlamentar, mas podendo sentir o efeito de medidas do governo e de movimento pontuais de ações em funções de balanços corporativos.

O dólar comercial fechou em queda de 0,18% no mercado à vista, cotado a R$ 3,7390 para venda, em sessão de poucos negócios, pouca oscilação e poucas notícias aqui e lá fora. Investidores fazem movimentações pontuais atentos às decisões de política monetária nos próximas dias na Europa, nos Estados Unidos e no Brasil.

Para o analista de câmbio da Correparti, Ricardo Gomes Filho, a entrada de dólares de investidores estrangeiros “ávidos” pela oferta de ações de grandes companhias durante a semana tem corroborado para manter o dólar abaixo do nível de R$ 3,75, como também o mercado de ações brasileiro em alta.

A equipe econômica da Terra Investimentos ressalta que o investidor iniciou a semana se “ajustando ao fôlego limitado” no exterior com as expectativas de anúncio de estímulos pelo Banco Central Europeu (BCE), na quinta-feira, e um possível corte da taxa de juros de 0,25 ponto percentual (pp) pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) na semana que vem.

Ainda sobre a política monetária norte-americana, o economista da Guide Investimentos, Victor Beyruti, ressalta o movimento de correção no exterior, com investidores “reavaliando” as expectativas em torno da magnitude do corte de juros na semana que vem, dia de decisão de política monetária nos Estados Unidos e aqui.

Amanhã, com a agenda de indicadores mais fraca aqui e no exterior, o mercado pode ter comportamento parecido com a sessão de hoje, poucos negócios e poucas oscilações à espera das decisões dos bancos centrais. “A tendência é andar de lado ao longo da semana”, aposta o diretor de câmbio de uma corretora.

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