Bolsa sobe e dólar cai com alívio na tensão entre Estados Unidos e China

12/12/2018 19:28:08

Por: Danielle Fonseca e Flavya Pereira / Agência CMA

São Paulo – O Ibovespa fechou em alta de 0,64%, aos 86.977,46 pontos, refletindo o otimismo generalizado dos mercados acionários no exterior com novas esperanças de que Estados Unidos e China possam chegar a um acordo comercial. O índice, porém, desacelerou ganhos durante à tarde com o enfraquecimento de ações de peso, como Vale, Petrobras e Itaú Unibanco, em dia de vencimento de opções sobre o Ibovespa e expectativa de que a cessão onerosa ficará mesmo para 2019. O volume total negociado foi de R$ 35,0 bilhões.

“Tivemos um conjunto de fatores, com avanços nas negociações entre Estados Unidos e China e alta de commodities, que deixaram o dia mais positivo”, disse o analista da Guide Investimentos, Rafael Passos.

No cenário externo, o apetite ao risco aumentou com a notícia que a diretora financeira da empresa chinesa de tecnologia Huawei, Meng Wanzhou, foi solta pelo Canadá após pagamento de fiança, depois ter sido acusada pelos Estados Unidos de burlar sanções ao Irã. Além disso, a China deve reduzir as tarifas para carros norte-americanos e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu declarações que mostram que está disposto a chegar em um acordo e que poderia até intervir na questão da prisão da executiva se necessário.

Entre as ações, as da Vale (VALE3 -0,45%) e da Petrobras (PETR4 +0,04%), que subiam com mais força na esteira do bom humor externo e da alta de preços de commodities, perderam um pouco de força nesta tarde, embora ainda tenham fechado em alta. O analista da Guide Investimentos lembra que no caso da Petrobras o noticiário em torno da cessão onerosa ainda reflete sobre os papéis, sendo que o Tribunal da Contas da União (TCU), que estava com a questão na sua pauta hoje, pediu mais documentos e deve mesmo deixar a análise do tema para o ano que vem. Os papéis de bancos, como do Itaú Unibanco (ITUB4 +0,68%), também reduziram alta ao longo do dia.

As ações de siderúrgicas, como Usiminas (USIM5 +9,36%) e CSN (CSNA3 +5,19%), porém, seguiram entre as maiores altas do Ibovespa, perdendo apenas para os papéis da Sabesp (SBSP3 +6,29%).

O dia ainda foi de vencimento de opções sobre o Ibovespa e ainda deve contar com a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). Investidores também seguem de olho nos desdobramentos das movimentações financeiras suspeitas do motorista do filho do presidente eleito, Flávio Bolsonaro. Para o analista da corretora Mirae Assset, Pedro Galdi, a falta de notícias positivas no mercado doméstico também colaboram para que o Ibovespa não tenha tido o mesmo ímpeto que outras bolsas no exterior, porém, ainda acredita que a tendência é positiva para a bolsa brasileira.

Amanhã, na agenda, o destaque para o discurso do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, que concede entrevista coletiva às 11h30 para detalhar a decisão de política monetária. Para analistas, será importante a confirmação sobre o término de incentivos. Ainda na Europa, a questão do Brexit também deve continuar no radar.

O dólar comercial encerrou em queda de1,73%, negociado a R$ 3,8530 para venda, interrompendo uma sequência de seis altas seguidas, influenciado pela busca por risco que prevaleceu no exterior após sinais de Estados Unidos e China de que pretendem seguir com acordos tarifários, trazendo alívio quanto à guerra comercial nos últimos dias.

O respiro veio com a liberação da executiva da companhia Huawei, Meng Wanzhou, detida no dia 24 do mês passado no Canadá, após acordo e pagamento de fiança. O comentário do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que, se necessário, interveria no Departamento de Justiça no caso da executiva para ajudar a garantir a trégua comercial com os chineses, trouxe ao mercado a sensação de que os países se empenham para um desfecho positivo.

Além disso, a China anunciou a redução das tarifas para carros fabricados nos Estados Unidos, de 40% para 15% de tributação.”Trump complementou que não elevará tarifas sobre importações chinesas até que tenha certeza de um acordo. Isso devolveu a confiança aos mercados e aqui, alguns bancos e tesourarias desmontaram posições, o que levou o dólar a bater mínimas sequenciais”, comenta o analista de câmbio de corretora nacional. A moeda norte-americana chegou a cair mais de 2%, chegando à mínima de R$ 3,8380.

Amanhã, tem a decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), em que as atenções se voltarão ao discurso do presidente Mario Draghi, que deve sinalizar manutenção da taxa básica de juros na zona do euro, o que passa “recibo” de desaceleração da economia do bloco, já exibidos nos indicadores de atividade, o que pode deixar o dólar mais forte.

A reunião será marcada também pelo fim do programa de compra de ativos (QE, na sigla em inglês) e pelo reforço da mensagem de continuidade dos estímulos via taxas de juros e política de reinvestimento, dizem analistas.

O economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa, comenta que além da fala de Draghi, o resultado da votação de não confiança e que determinará o futuro da primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, no poder, deve ajudar a “dar o tom” na sessão. “O exterior será o centro das atenções pelos sucessivos eventos e pela falta de novidades por aqui, até que o novo governo tome posse”, avalia.

“A tendência é de cenário muito volátil e indefinido, lá fora e aqui, no curto prazo. Na política, os ruídos de pessoas próximas ao presidente eleito [Jair Bolsonaro] que estejam ligadas à corrupção, criam um ambiente que reduz um pouco o apoio popular que ele precisa para aprovar reformas importantes nos próximos meses, como a Previdência. A apreensão pode levar a um cenário de maior proteção”, reforça.

 

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