Bolsa sobe e dólar cai acompanhando melhor nos mercados externos

Por Danielle Fonseca e Flavya Pereira

São Paulo – Após três pregões seguidos fechando praticamente estável, o Ibovespa subiu 0,82%, aos 104.716,69 pontos, acompanhando uma melhora das bolsas norte-americanas com as declarações do presidente da unidade do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de Nova York, John Williams, que deram força a previsões de cortes mais agressivos da taxa de juros nos Estados Unidos. As ações de bancos aceleraram ganhos e foram as que mais pesaram para a aceleração do índice no final da tarde. O volume total negociado foi de R$ 15,4 bilhões.

“O Williams acabou sugerindo cortes mais fortes por parte de bancos centrais, o que deu uma puxada nas bolsas lá fora e nós acompanhamos. Nos últimos dias, estávamos tendo sinalizações no sentido contrário, de que o corte poderia não ser tão agressivo, de 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Fed”, disse o analista da Guide Investimentos, Rafael Passos. O presidente do Fed de Nova York disse que em um ambiente de taxas de juros historicamente baixas, os bancos centrais devem enfrentar qualquer sinal negativo de forma rápida e agressiva.

O diretor de operações da Mirae Asset Corretora, Pablo Spyer, também destacou a “maneira rápida” defendida por Williams. “Ele é um cara de linha neutra, que tende a ser neutro, então, a fala ganhou relevância “, afirmou.

Mais cedo, as bolsas norte-americanas operavam em leve queda mostrando maior cautela em função de impasses nas negociações comerciais entre China e Estados Unidos e de balanços corporativos.

Já na cena doméstica, investidores seguem aguardando novidades, depois da notícia de que o governo anunciará a liberação de saques do FGTS e de recursos do PIS apenas na semana que vem. Havia expectativa de que pudessem ser anunciadas novidades hoje em cerimônia no Planalto de comemoração aos 200 dias do governo. As medidas que o governo pode tomar para estimular a economia no curto prazo têm ficado no foco do mercado na ausência de novidades sobre o andamento da reforma da Previdência durante o recesso parlamentar.

“A Bolsa ficou um pouco descolada do exterior mais cedo na expectativa de estímulos para a economia, como o FGTS”, afirmou o analista da Toro Investimentos, Felipe Fernandes. Analistas destacam, porém, que também será preciso ver os detalhes da medida para saber seu real impacto no consumo.

Entre as ações, as de bancos passaram a ter altas mais fortes após as declarações de Williams, caso dos papéis do Itaú Unibanco (ITUB4 2,47%) e do Santander (SANB11 2,35%), Já as maiores altas do Ibovespa foram das ações do setor de educação, Estácio (ESTC3 5,45%) e Kroton (KROT3 5%), e da Sabesp (SBSP3 4,45%). Além de continuarem expectativas positivas sobre a privatização da Sabesp, a companhia informou que sua base de remuneração regulatória deve ser atualizada, após a agência reguladora do setor publicar aviso de consulta pública para receber contribuições para uma nova metodologia.

Na contramão, as maiores perdas do índice foram das ações da CVC (CVCB3 -2,51%), da Cielo (CIEL3 -3,60%) e de empresas de shopping centers, como Multiplan (MULT3 -1,77%) e Iguatemi (IGTA3 -1,72%).

Com a agenda de indicadores vazia amanhã, o Ibovespa pode continuar refletindo repercussões da fala de Williams no exterior, com investidores também monitorando a guerra comercial.

O dólar comercial fechou em queda de 0,87% no mercado à vista, cotado a R$ 3,7290 para venda – no oitavo pregão seguido no patamar de R$ 3,70 – influenciado pelas declarações de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), sobre ações de bancos centrais em meio à cenários econômicos adversos.

Primeiro, o mercado reagiu às declarações do presidente da unidade do Fed de Nova York, John Williams, de que em um ambiente de taxas de juros historicamente baixas, os bancos centrais devem enfrentar qualquer sinal negativo de “forma rápida e agressiva. É necessário tomar medidas imediatas quando confrontado com condições econômicas adversas e manter as taxas de juros mais baixas por mais tempo”, defendeu Williams.

Depois, o vice-presidente do Fed, Richard Clarida, afirmou que não é necessário esperar os dados econômicos se tornarem ruins para uma ação mais decisiva do banco central norte-americano. “Os dados econômicos apresentam uma performance mista, mas os indicadores globais desapontam”, disse Clarida em entrevista à Fox Business.

Para o diretor de uma corretora nacional, o discurso de Williams é de que é “preciso ser agressivo” quando se confronta com um “cenário adverso”. Para ele, a declaração foi vista pelo mercado como uma sinalização de que um corte mais forte nos juros dos Estados Unidos poderia estar a caminho. As apostas de corte de juros de 0,50 ponto percentual (pp) na reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) no fim do mês.

Aqui, o secretário especial de Trabalho e Previdência do Ministério da Economia, Rogério Marinho, afirmou que o texto-base da reforma da Previdência aprovado no plenário da Câmara em primeiro turno, com modificações a partir dos destaques aprovados, deve economizar R$ 933,5 bilhões em 10 anos. A proposta original previa economia de R$ 1 trilhão.

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