Bolsa sobe com otimismo sobre novo governo; dólar tem alta em dia de ajuste

05/11/2018 18:45:14

Por: Danielle Fonseca e Flavya Pereira / Agência CMA

São Paulo – O Ibovespa fechou em alta pelo quarto pregão seguido, com ganhos de 1,32%, aos 89.594,53 pontos, amparado pelo clima de otimismo com o novo governo, na expectativa de que possam ser anunciados novos nomes da equipe econômica e de que seja negociada a votação da reforma da Previdência ainda este ano.

A alta da maioria das bolsas norte-americanas também colaborou para que o índice tivesse mais um dia de ganhos, levando a um novo recorde histórico no fechamento (ante 88.419,05 pontos no pregão anterior). No intradia, também foi batida uma nova máxima história, chegando a 89.574,23 pontos (frente a 89.017,37 do último pregão). O volume negociado foi de R$ 14,7 bilhões no primeiro dia em que a bolsa passou a fechar às 18h em função do horário de verão, apresentando uma leve redução em relação aos últimos dias.

“O governo de Jair Bolsonaro já começou a transição e o que está sendo feito sendo até agora foi aprovado pelo mercado, podendo manter o cenário positivo”, disse o economista-chefe da Codepe Corretora, José Costa. Investidores seguem esperando por novos nomes do governo de Jair Bolsonaro, principalmente, para a equipe econômica e estatais. Há esperança ainda de que Ilan Goldfajn, que é bem avaliado pelo mercado, possa seguir no comando do Banco Central (BC).

Outra expectativa é pelo encontro do ex-militar com o presidente Michel Temer, previsto para a próxima quarta-feira, quando será discutida a possibilidade de a reforma da Previdência ser votada ainda este ano. Em entrevista à “TV Aparecida” hoje, Bolsonaro disse querer aprovar pelo menos alguma coisa da reforma, como a idade mínima.  “A expectativa é de que Bolsonaro irá verificar o clima político e sondar o que poderá ser feito em termos de votação de pautas polêmicas ainda em 2018”, afirmou o estrategista Luiz Gustavo Pereira, da Guide Investimentos, em relatório.

No cenário externo, os índices norte-americanos Dow Jones e S&P mostraram uma recuperação após a queda vista na última sexta-feira, apesar da queda do Nasdaq. A semana ainda pode trazer alguma cautela no país, com uma série de eventos relevantes, como a reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e as eleições legislativas. Também estão no radar negociações comerciais com a China e o anúncio de sanções econômicas ao Irã, o que fez os preços do petróleo subirem.

O dólar fechou em alta de 0,89%, negociado a R$ 3,7270 para venda, após acelerar os ganhos no fim dos negócios chegando à máxima do dia, em dia de ajustes após o feriado de sexta-feira, descolado do exterior, e com cautela em relação aos movimentos do presidente eleito, Jair Bolsonaro.

Na volta do feriado local, o dólar operou em alta durante todo o dia, com leves oscilações abaixo do nível de R$ 3,70. “O nível de abertura, a R$ 3,71, chamou vendedores e fez a moeda atingir a mínima do dia. Depois, o movimento se normalizou”, comenta o diretor de uma corretora nacional.

Aqui, investidores seguem atentos à formação do governo de Jair Bolsonaro a partir de janeiro. Na quarta-feira, o presidente eleito deve se reunir com o presidente Michel Temer, para discutir pautas como a possibilidade de aprovação de parte da reforma da Previdência ainda neste ano.

Lá fora, o dólar se desvalorizou, principalmente ante as moedas de países emergentes, em semana de eventos importantes nos Estados Unidos. Amanhã, começa a eleição para a Câmara dos Representantes e de um terço das vagas do Senado nos Estados Unidos. “Pode ter alguma interferência, mas com a aposta de uma eventual vitória dos Democratas, já deve estar nos preços”, diz o diretor da Meta Asset, Alexandre Horstmann.

Aqui, tem a divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) referente a reunião da semana passada que decidiu pela manutenção da taxa básica de juros (Selic) em 6,50% ao ano pela quinta vez consecutiva. “A ata deve trazer novamente alguma coisa sinalizando que seja necessário faz a reforma da Previdência, mas não deve ser diferente do comunicado”, avalia Horstmann.

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