Bolsa sobe com ajuda das estatais e dólar cai com otimismo sobre decisão do STF

Por Danielle Fonseca e Flavya Pereira

São Paulo – O Ibovespa fechou em alta de 1,25%, aos 97.204,85 pontos, refletindo principalmente a valorização das ações da Petrobras e do Banco do Brasil, após votação no Supremo Tribunal Federal (STF) indicar resultado favorável à venda de estatais sem a autorização do Congresso. O cenário externo mais positivo hoje, com menores temores sobre a guerra comercial, também colaborou para que o índice seguisse em campo positivo ao longo do pregão. O volume total negociado foi de R$ 13,7 bilhões.

“A visão é de que a votação do STF vai ser favorável e todas as estatais, que têm como tese do ano a venda de ativos estão andando bem, puxaram o índice”, disse o analista-chefe da Geral Investimentos, Carlos Müller. Até o momento, o placar é de quatro a três, com a maioria dos ministros votando à favor da venda sem autorização legislativa, embora existam algumas dúvidas sobre o voto da ministra Rosa Weber.

Os papéis da Petrobras (PETR3 1,57%; PETR4 1,62%) encerraram em alta de mais de 1%, acelerando ganhos ao longo do pregão, assim como as ações do Banco do Brasil (BBAS3 2,54%). Outros papéis de bancos também tiveram um bom desempenho, como do Bradesco (BBDAC4 2,19%). Já as maiores altas do Ibovespa ficaram com as ações da Via Varejo (VVAR3 6,45%), que refletiram o lançamento de um banco digital em parceria com a Airfox, e da Azul (AZUL4 5,10%), que mostrou aumento na demanda no mês de maio.

Na contramão, as maiores quedas ficaram as ações do setor de educação, como Estácio (ESTC3 -3,11%) e a Kroton (KROT3 -2,57%).

No exterior, as bolsas norte-americanas também fecharam no azul com alívio na tensão comercial em meio a rumores de que o governo dos Estados Unidos estuda adiar as tarifas de 5% sobre produtos mexicanos. As tarifas entrariam em vigor na segunda-feira. O presidente norte-americano, Donald Trump, também disse que vai decidir se aplicará tarifas a uma parcela ainda maior de bens importados da China apenas depois da reunião do G-20, que está prevista para os dias 28 e 29 de junho.

Amanhã, a agenda de indicadores mais cheia deve mexer com os mercados, com destaque para os números de criação de empregos (payroll) nos Estados Unidos, às 9h30, e para o Indice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de maio, às 9h. “Os dados de criação de vagas no setor privado da ADP nesta semana sinalizaram que o payroll pode vir mais fraco, mas a questão da guerra comercial tem prevalecido”, acredita o economista-chefe do banco digital Modalmais, Alvaro Bandeira. Caso venham abaixo do esperado pelo mercado os dados do payroll podem reforçar a expectativa de que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) poderá reduzir a taxa de juros, o que é positivo para investimentos em ativos de risco.

Investidores também seguem acompanhando a articulação do governo para a aprovação da reforma da Previdência, com expectativa de que o relatório da comissão especial seja apresentado agora na semana que vem.

O dólar comercial fechou em queda de 0,33% no mercado à vista, cotado a R$ 3,8830 para venda, exibindo poucas oscilações na segunda parte dos negócios em dia mais calmo no exterior para as principais moedas de países emergentes e com investidores ainda otimistas com a política local, em meio ao julgamento sobre as privatizações de estatais que segue no STF.

Para o analista de câmbio de uma corretora local, em meio a ausência de decisões no Congresso, o dólar oscilou entre “margens estreitas, lateralizado e um tanto quanto apático”, com o contrato futuro operando sem direção definida. Ele ressalta a divulgação do resultado da reunião de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), seguido do discurso do presidente da instituição, Mario Draghi, gerou expectativa na primeira parte dos negócios.

“Após confirmada a manutenção das taxas nos níveis atuais, Draghi evidenciou que estas devem ficar inalteradas por um período mais longo que o esperado”, comenta. Segundo o presidente do BCE, a estimativa é de que a taxa de juros seja mantida até o primeiro semestre do ano que vem, e não mais até o fim do ano como projetado nas decisões anteriores.

Amanhã, será divulgado o indicador dado como o mais “importante” da semana, o relatório de trabalho dos Estados Unidos, o payroll. Após dados mais fracos do relatório de empregos no setor (ADP), com a criação de 27 mil vagas em maio, ante projeção de 173 mil vagas, o mercado externo revisou para baixo a estimativa do payroll, diz o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa.

“No fim da semana passada, a previsão era criar 195 mil vagas. Hoje, após o ADP, o mercado estima que sejam criadas 180 mil vagas, o que reforça a expectativa de queda de juros em breve nos Estados Unidos”, reforça. Segundo analistas consultados pela Agência CMA, devem ser criados 190 mil empregos por lá.

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