Bolsa fecha quase estável, com ligeiro viés de queda, enquanto dólar sobe

Por Eduardo Puccioni e Flavya Pereira

São Paulo – O Ibovespa encerrou a sessão de hoje bem perto da estabilidade, com ligeira queda de 0,05% aos 96.187,75 pontos. A ação do Banco do Brasil passou o dia em queda influenciado pela fala do presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, de que pediu para a estatal reduzir a taxa de juros para o setor do agronegócio, indicando interferência do governo no banco, porém, no ajuste do dia, a ação virou e encerrou com pequena alta, de 0,04%.

Com a declaração de Bolsonaro, as ações dos bancos recuaram, já que qualquer movimentação de queda da taxa de juros do Banco do Brasil é acompanhada pelos bancos privados. “Com queda na taxa de juros, a rentabilidade do banco também cai”, afirmou Matheus Amaral, analista de investimentos da Toro Investimentos. Com isso, as ações preferenciais do Bradesco (BBDC4) recuaram 1,30%, enquanto o papel preferencial do Itaú Unibanco (TIUB4) caiu 0,79%.

Por outro lado, as ações da Petrobras passaram a maior parte da sessão em alta, ajudada pela divulgação de novos desinvestimentos da companhia, porém, no ajuste do dia, a ação ordinária da estatal (PETR3) virou e fechou em queda de 0,46%. Com maior peso no Ibovespa, o papel preferencial da Petrobras (PETR4), acabou finalizando a sessão com alta de 0,44%.

Na última sexta-feira, a Petrobras divulgou novas diretrizes para a venda de ativos nos segmentos de Refino e Distribuição, com a previsão de vender a rede de postos de gasolina no Uruguai, PUDSA, e a realização de uma oferta secundária de ações para reduzir sua participação na BR Distribuidora, hoje em aproximadamente 71,0%.

“Os dois fatores de hoje jogaram o Ibovespa para a neutralidade. O dia começou positivo após a demonstração de proximidade entre Bolsonaro e Maia [Rodrigo, presidente da Câmara dos Deputados], mas logo depois o próprio Bolsonaro fez a Bolsa cair com a declaração sobre reduzir a taxa de juros do Banco do Brasil”, afirmou Amaral.

De acordo com um operador de uma grande corretora, amanhã o índice segue sem viés definido, esperando por notícias econômicas, políticas ou de empresas. “Nada está definido. Nessa semana sem novidades sobre reforma da Previdência, qualquer notícia pode mexer muito com o mercado, tanto para cima quanto para baixo”, disse o operador.

O dólar comercial fechou em alta de 0,22%no mercado à vista, cotado a R$ 3,9420 para venda, depois de exibir movimento lateral em sessão de volume baixo de negócios influenciado pelo mercado externo, onde o cenário foi misto entre as principais moedas pares e de países emergentes.

Segundo analistas, com a ausência de notícias negativas no cenário político e em relação à reforma da Previdência, o cenário externo influenciou o movimento da moeda local. “Os temores relacionados ao desaquecimento econômico global motivaram a divisa a se valorizar. Em um segundo momento, o resultado misto de indicadores dos Estados Unidos trouxe novo incremente de oscilação para a moeda”, comenta o analista de câmbio de uma corretora nacional.

O analista refere-se aos dados de gastos pessoais (PCE, na sigla em inglês) e de renda pessoal no mês passado nos Estados Unidos. Os gastos pessoais subiram 0,9% em ante fevereiro, enquanto a renda pessoal teve ligeira alta de 0,1%.

Amanhã, em véspera de feriado no mercado local e em outros ao redor do mundo, o dólar tende a ficar pressionado, diz o diretor de operações da Ourominas, Mauriciano Cavalcante. A formação de preço da taxa Ptax – média das cotações do dólar apuradas pelo Banco Central (BC) – de fim de mês, também poderá favorecer movimentos de alta na primeira parte dos negócios.

Cavalcante destaca que o viés de cautela também com à véspera da decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) o qual será divulgada na quarta-feira, o qual o mercado doméstico deverá repercutir na quinta-feira.

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