Bolsa fecha em queda mesmo com expectativa por acordo comercial entre EUA e China

Por Eduardo Puccioni

São Paulo – O Ibovespa encerrou as negociações de hoje com queda de 0,82% aos 94.807,85 pontos, com volume financeiro de cerca de R$ 14,2 bilhões. Após cair mais de 1% ao londo da sessão, o recuo do índice perdeu força após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que a negociação com a China sobre a sobretaxação sairá ainda essa semana.

“O movimento do Ibovespa hoje foi claramente a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China. O mercado acordou bem de mau humor hoje, mas teve uma notícia positiva com as negociações e a declaração de Trump. Isso trouxe um alívio imediato, mas não ausentou a aversão ao risco”, explicou um analista de investimentos de um grande banco.

Para o analista-chefe da Mirae Asset, Pedro Galdi, a recente troca de ofensas entre Pequim e Washington sobre o cumprimento de detalhes da negociação comercial reflete a dificuldade em levar este tema adiante. “Uma nova ida de uma comitiva chinesa não retira a preocupação em relação à piora de expectativas sobre a guerra comercial e o consequente impacto na desaceleração da economia mundial”, afirma, em comentário.

No início da tarde de hoje, o índice subia mais de 1,5% quando Trump disse que há chances de que um acordo comercial mais amplo seja fechado com a China ainda nesta semana, minimizando a possibilidade de fracasso nas negociações. Segundo ele, caso o pacto não seja firmado, os Estados Unidos têm alternativas para lidar com a situação.

Isso fez com que o Ibovespa perdesse força de queda, mas sem evitar fechar no campo negativo, já que não há indicadores econômicos positivos que possam beneficiar o mercado no cenário local.

Trump não forneceu detalhes sobre as opções, mas o governo norte-americano já encaminhou os documentos para que as tarifas sobre US$ 200 bilhões em bens chineses subam de 10% para 25% a partir de amanhã. “Não posso permitir que a China recue em compromissos já acordados com os Estados Unidos. Os chineses retiraram partes do acordo como as que regulavam a propriedade intelectual”, disse Trump a repórteres na Casa Branca.

Para amanhã, o mercado segurá sem uma tendência definida, aguardando novidades sobre a guerra comercial e também na espera de notícias mais positivas sobre a política brasileira. “Não dá nem pra definir um viés para o mercado. O cenário político no Brasil está tão complicado que nem isso pode salvar”, disse o analista de investimentos.

Hoje o dólar comercial seguiu um movimento global de valorização, o que não foi diferente aqui no Brasil, com a moeda norte-americana encerrando a sessão com alta de 0,48%, cotada a R$ 3,9540 para venda. O principal fator segue sendo a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, sem uma definição clara até o fechamento do mercado.

“A tendência do dólar é de alta. Os indicadores econômicos nos Estados Unidos continuam indicando expansão da economia lá. No Brasil, não tivemos nada que fizesse o real ganhar força, como algo importante sobre a reforma da Previdência, pelo contrário, tivemos mais coisas negativas, como o Coaf [Conselho de Controle de Atividades Financeiras], por exemplo”, explicou Paulo Petrassi, gestor de investimentos.

Petrassi disse ainda que para amanhã o dólar seguirá enfrentando volatilidade e que não dá para esperar do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um acordo definido já amanhã. “O Trump é meio de acordar de mau humor e ir pro twitter. Um twitter dele e o mercado pode mudar todo, não dá para prever o que vai sair desse acordo com a China”, afirmou Petrassi.

A Medida Provisória 870/2019, que reorganiza os ministérios e outros órgãos do Poder Executivo, foi aprovada pela comissão mista formada para analisar a proposta. O texto segue agora para votação nos plenários da Câmara e do Senado e ainda pode ser modificado.

A votação ocorreu após mais de duas horas de debates e impôs duas derrotas ao governo Bolsonaro em pontos considerados polêmicos da proposta, entre eles, a situação do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Por 14 votos favoráveis e 11 contrários, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) vai ficar mesmo sob a responsabilidade do Ministério da Economia, contrariando o voto do relator Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE).

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