Bolsa e dólar têm pequena alta em sessão marcada por cautela dos investidores

Por Danielle Fonseca e Flavya Pereira

São Paulo – Após oscilar entre os campos positivo e negativo ao longo do pregão, o Ibovespa fechou praticamente estável, com alta de 0,04%, aos 102,057,89 pontos, dividido entre uma realização de lucros e expectativas positivas sobre o andamento da reforma da Previdência e de negociações comerciais entre China e Estados Unidos nesta semana.  Mais cedo, o índice chegou a renovar a sua máxima histórica intradiária batida na última sexta-feira, ao atingir os 102,617,31 pontos. O volume total negociado foi de R$ 12,4 bilhões.

“Não temos motivos para queda e também não temos motivos para a alta, o cenário não mudou desde quinta-feira da semana passada. Há fatores de risco que podem vir a pesar e se tornarem motivos para uma realização de lucros, como a tensão entre o Irã e os Estados Unidos, mas por enquanto não há nada de diferente”, disse o analista-chefe da Geral Investimentos, Carlos Müller.

As bolsas norte-americanas também fecharam quase estáveis depois que o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou novas sanções ao Irã hoje, Porém, o evento mais esperado é o encontro de Trump, com o presidente chinês, Xi Jinping, durante a reunião do G-20, no fim da semana, com expectativas de avanços nas negociações comerciais entre os dois países.

Já na cena doméstica, a espera é pela votação da reforma da Previdência na comissão especial da Câmara até quinta-feira, conforme afirmado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. O texto do relator da reforma também pode trazer mais alterações. Para o analista da Terra Investimentos, Régis Chinchila, esse será um dos principais “drivers” para a Bolsa nesta semana, durante a qual não vê “grandes quedas”, embora não estejam descartadas pequenas realizações de lucros.

Na avaliação do analista, os 100 mil pontos “vieram para ficar”, mas para o Ibovespa atingir novos patamares a partir de agora também serão necessários fatos novos, como uma maior entrada de investimentos estrangeiros na Bolsa, cortes de juros e melhora da atividade econômica, já que uma reforma da Previdência com uma economia de cerca de R$ 800 bilhões em 10 anos já estaria praticamente precificada.

Entre as ações, as maiores valorizações do Ibovespa ficaram com as ações da Suzano (SUZB3 2,25%) e da Braskem (BRKM3 1,89%) e da Hypera (HYPE3 1,75%). Na contramão, as maiores quedas ficaram com a B2W (BTOW3 -1,88%), da CCR (CCRO3 -1,86%) e da Natura (NATU3 -1,61%).

O dólar comercial fechou em leve alta de 0,07% no mercado à vista, cotado a R$ 3,8280 para venda, em sessão marcada por lateralidade da moeda estrangeira com investidores em compasso de espera por avanços da reforma da Previdência nesta semana e na expectativa de um acordo comercial entre Estados Unidos e China no fim da semana quando os presidentes dos países devem se encontrar durante o G-20, no Japão.

O analista de câmbio da Correparti, Ricardo Gomes Filho, ressalta que o investidor está “em compasso de espera” por importantes eventos na semana. como a divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central amanhã, a apreciação do texto final da reforma da Previdência na comissão especial da Câmara dos Deputados. Lá fora, tem a divulgação da terceira leitura do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos no primeiro trimestre e a expectativa pelo encontro entre Donald Trump e Xi Jinping na expectativa de um acordo comercial entre norte-americanos e chineses.

A soma desses eventos levou o dólar a operar sem rumo único durante toda a sessão renovando mínimas a R$ 3,8090 (-0,42%) e máximas de R$ 3,8390 (+0,36%) na primeira parte dos negócios, exibindo forte movimento lateral.

“Em movimento de cautela com olhos na votação da Previdência na comissão especial nesta semana e com o exterior. Porém, esse nível entre R$ 3,82 e R$ 3,83 já está considerando a possibilidade de a reforma ir para votação na Câmara antes do recesso parlamentar no mês que vem”, diz a economista-chefe do banco Ourinvest, Fernanda Consorte.

Amanhã, o destaque da agenda doméstica é a ata do Copom que, segundo Fernanda, deverá reforçar o tom suave (“dovish”) observado no comunicado da decisão de política monetária na semana passada. “Como o Banco Central já atrelou a queda da taxa de juros à reforma da Previdência à espera de evolução mais concretas, investidores aguardam um tom dovish para julho, com sinalizações de que o BC poderá se movimentar”, avalia a economista.

Lá fora, o destaque fica para o discurso do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, com investidores à espera também de pistas sobre a condução monetária na próxima reunião.