Bolsa e dólar sobem por expectativa da Previdência e acordo entre China e EUA

Por Danielle Fonseca e Flavya Pereira

São Paulo – O Ibovespa fechou em leve alta de 0,24%, aos 100.967,20 pontos, em meio a expectativas de que a reforma da Previdência possa ser aprovada na Câmara dos Deputados antes do recesso parlamentar e que os presidentes da China e dos Estados Unidos possam fechar um acordo comercial durante o G-20. O volume total negociado foi de R$ 15,5 bilhões.

A esperança em torno da reforma também fez com que o índice encerrasse o mês de junho com ganhos de 4,14%, embora tenha caído 0,94% na semana. O mês ainda ficou marcado pelo novo recorde histórico atingido pela Bolsa, que chegou aos 102.617,31 pontos durante o pregão da última segunda-feira (24). Dessa forma, o Ibovespa já acumula alta de 14,98% no metade do ano.

Para o analista da Terra Investimentos, Régis Chinchila, o dia de hoje mostrou uma continuidade do movimento de ontem à tarde, com a ausência de novidades capazes de mexer com o mercado e manutenção de expectativas.

Ontem, investidores ficaram mais tranquilos quanto ao andamento da reforma depois que o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, disse que o texto do relator da reforma deve ser lido na terça-feira na comissão especial, o que permite que seja votado em plenário da Câmara antes do recesso parlamentar, que começa no dia 18 de julho. Atrasos na leitura no parecer da reforma na comissão haviam trazido preocupação no meio da semana. Já no exterior, o dia foi morno, com bolsas norte-americanas fechando em leve alta, à espera de novidades sobre um possível acordo entre Estados Unidos e China.

Entre as maiores altas do Ibovespa ficaram as ações da Usiminas (USIM5 3,11%), que refletiram os preços do minério de ferro, da Eletrobras (ELET3 3,37%), da Cyrela (CYRE 3,74%) e da Gol (GOLL4 3,13%). Na contramão, as maiores perdas foram da Suzano (SUZB3 -2,75%), da Ultrapar (UGPA -1,95%) e da Cielo (CIEL3 -2,47%).

Na semana que vem, o mercado deve repercutir o encontro entre os presidentes da China e dos Estados Unidos e acompanhar a Previdência, duas questões essenciais para definir preços de ativos. Caso o desfecho seja negativo, analistas preveem alguma correção do Ibovespa. No entanto, as expectativas seguem positivas por enquanto.

“Acredito em um mês de julho positivo, vejo o Maia a frente das articulações da reforma da Previdência e isso deve fortalecer aliança. Esse tema que é o principal catalisador para uma nova agenda econômica positiva no Brasil”, disse o analista da Terra.

O analista da Toro Investimentos, Lucas Carvalho, também acredita em uma aprovação da reforma na Câmara devido aos esforços do governo e líderes do Congresso, mas pondera que “o tempo é pequeno para o governo trabalhar em ajustes finais na reforma” antes do recesso.  No caso de uma nova postergação da reforma, para agosto, acredita que o mercado “vai sentir um choque de curto prazo e possíveis quedas vão acontecer, mas isso não deve mudar a perspectiva positivo no médio e longo prazo”.

O dólar comercial fechou em alta de 0,18% no mercado à vista, cotado a R$ 3,8410 para venda, em sessão de baixo volume de negócios influenciado pelo exterior, onde investidores aguardam o encontro entre os presidentes dos Estados Unidos e da China na expectativa de algum progresso nas negociações sobre a guerra comercial travada pelos países há mais de um ano. Na semana, a moeda estrangeira subiu 0,41%, enquanto no mês teve queda de 2,14%.

O diretor da Correparti, Ricardo Gomes, destaca que após a formação da taxa Ptax – média das cotações do dólar apuradas pelo Banco Central (BC) – de R$ 3,8316 para compra e R$ 3,8322 para venda, os investidores precificaram as incertezas com a reunião entre Donald Trump e Xi Jinping durante o G20, no Japão, “se refugiando no dólar”, acrescenta.

“Com a definição nesse encontro, espera-se os próximos passos da negociação, mas com novas sobretaxas congeladas dos dois lados”, comenta a equipe econômica da corretora Mirae Asset. Guerra comercial, somada ao imbróglio da reforma da Previdência, foram os temas mais sensíveis aos ativos no semestre.

O diretor de câmbio do Ourominas, Mauriciano Cavalcante, define os seis primeiros meses do ano e do governo de Jair Bolsonaro como “estressante”, principalmente, na política. “Foi um semestre praticamente perdido sem a votação da reforma e visto os indicadores da nossa economia, aquém do esperado. Para o dólar, foi um semestre de forte oscilações”, diz.

Apesar da queda de 0,92% no período, a moeda estrangeira oscilou entre o patamar de R$ 3,67 a R$ 4,12, considerando as oscilações intradiárias. No trimestre, de abril a junho, o dólar teve desvalorização de 2,14%.

Mesmo sem a aprovação da reforma, o diretor da Correparti se mostra otimista. Apesar de os números da economia apontarem para um Produto Interno Bruto (PIB) abaixo de 1% no ano, ele acredita que encerramos o mês, o trimestre e o semestre com a “certeza” de que as reformas “vão acontecer. A da Previdência avançou nos últimos meses e é notório o empenho das duas casas [Câmara dos Deputados e Senado] em avançar e aprovar a pauta”, diz.

Na semana que vem, na agenda de indicadores, o destaque fica para os dados de emprego e renda dos Estados Unidos, com a divulgação do Automatic Data Processing (ADP), documento que antecede os dados do relatório do payroll, “em que são projetados resultados sólidos tanto para o payroll, quanto para a taxa de desemprego em junho”, reforçam os analistas da Rosenberg.

Porém, com o feriado nos Estados Unidos na quinta-feira e com o fechamento do mercado financeiro por lá mais cedo na quarta, a falta de liquidez deve contaminar o movimento do cenário local. Em contrapartida, a tramitação da reforma da Previdência deverá ditar o rumo dos negócios no mercado doméstico. Na terça-feira, está prevista a leitura do parecer do relator Samuel Moreira (PSDB-SP) na comissão especial da Câmara. A expectativa é de inclusão dos estados e municípios nas mudanças previdenciárias.