Bolsa e dólar sobem em dia de cautela pré-final de semana

São Paulo – O Ibovespa fechou o último pregão de março em alta de 1,08%, aos 95.414,55 pontos, refletindo a trégua entre o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional e as expectativas de avanços nas negociações comerciais entre Estados Unidos e China. O índice também foi sustentado pela forte valorização das ações da Vale e de siderúrgicas, diante da alta do minério de ferro. No entanto, mostrou uma desaceleração no fim do dia com investidores ainda cautelosos com o front político. O volume total negociado foi hoje foi de R$ 15,2 bilhões.

Depois de forte volatilidade e aumento da tensão na relação entre os Poderes, o índice subiu 1,79% na semana, mas encerrou o mês com queda de 0,18%. No primeiro trimestre do ano, a alta ainda é de 8,56%, sustentando principalmente pela euforia com o governo vista em janeiro, quando subiu mais de 10%.

“O dia foi positivo e o índice conseguiu se recuperar do tombo no início da semana depois de sinalizações positivas no front político, Mas com certeza houve um pouco de cautela no fim do dia, é difícil dormir posicionado, ainda há receio de alguns ruídos e espera por novidades”, disse o analista da Guide Investimentos, Rafael Passos.

Na quarta-feira, enquanto o Paulo Guedes participava da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Jair Bolsonaro concedia entrevista para a “TV Bandeirantes”. Guedes chegou a afirmar que não tem apego ao cargo, e caso ele percebe que não pode mais ajudar no governo, ou caso não saiam as aprovações desejadas para ele trabalhar, que deixaria o cargo.

Bolsonaro dizia na TV que Rodrigo Maia estava abalado por problemas pessoas, deixando em aberto se estava se referindo ao episódio da prisão do seu sogro e ex-ministro Moreira Franco pela operação Lava Jato. Ao ser questionado sobre a declaração do presidente da República, Maia afirmou que quem estava abalado era o povo brasileiro e que Bolsonaro estaria brincando de presidir o país.

Na quinta-feira, Maia almoçou com Guedes para firmar a paz e tentar voltar a colocar a reforma da Previdência nos trilhos. Com isso, ficou definido que o ministro da economia irá participar da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) na Câmara na quarta-feira da próxima semana. Essa ida será para explicar aos deputados as propostas na mudança da Previdência.

Ainda no mesmo dia, no final da tarde o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, anunciou o delegado e deputado Marcelo Freitas como relator da reforma da Previdência. A escolha de um relator era uma exigência de Guedes, que deixou de comparecer à CCJC na terça-feira porque ainda não havia uma indefinição. Além disso, Guedes foi orientado que haveria um esvaziamento da sessão pela base do governo, com isso, ele teria que apresentar a reforma apenas para membros da oposição, ficando assim muito exposto.

Porém, analistas destacam que o mercado continuará sensível a declarações sobre a reforma, o que pode voltar a trazer volatilidade durante o mês de abril. “O presidente da CCJC falou em votar a Previdência no dia 17 de abril e essa data servirá como referência para o mercado. A Previdência continuará no radar e o mercado cautelosamente atento”, disse a analista da Toro Investimentos, Stefany Oliveira. Investidores também devem acompanhar a ida de Guedes à CCJC na semana que vem.

No exterior, por sua vez, o dia foi de alta nos principais mercados acionários já que a continuidade das conversas entre Estados Unidos e China trouxe uma sinalização positiva aos investidores sobre a possibilidade de um acordo comercial.

Essa semana que passou foi tão conturbada e volátil que o encerramento do dólar ficou quase estável mesmo após o dólar registrar queda ao longo da sessão, em dia que o Banco Central (BC) ofertou US$ 3,0 bilhões no mercado por meio de um leilão de linha. Com isso, o dólar encerou com alta de 0,02%, a R$ 3,9170 para venda. Na mínima do dia, a divisa ficou cotada a R$ 3,8690, retração de 1,20%.

“O investidor buscou proteção no final do dia. Não sabemos o que pode acontecer na política no final de semana. Essa semana foi de muita volatilidade com embates entre Bolsonaro [Jair, presidente do Brasil], Maia [Rodrigo, presidente da Câmara] e Guedes [Paulo, ministro da Economia]”, explicou Flavio Serrano, economista-sênior do Haitong Brasil.

Pablo Spyer, diretor de operações da Mirae Asset Corretora, compartilha da mesma opinião. “Essa semana tivemos um vai e vem com declarações e estresse entre Bolsonaro e Maia. Isso trouxe muita volatilidade, principalmente na quarta-feira, com melhora para os mercados na quinta-feira”, explicou o especialista.

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